Nome "ANÉSIA PINHEIRO MACHADO" para a nova escola estadual de Itapetininga
Para: Unidade Regional de Ensino de Itapetininga
Neste abaixo-assinado declaramos apoio à homenagem à primeira aviadora brasileira, nascida em Itapetininga, ANÉSIA PINHEIRO MACHADO, por meio de sua nomeação como patronímico da nova escola estadual do município, no Bairro Taboãozinho.
REFERENCIAL HISTÓRICO E EDUCACIONAL
Anésia Pinheiro Machado nasceu em 5 de junho de 1904, no município de Itapetininga, interior do Estado de São Paulo e, desse pequeno pedaço de chão, alçou um pioneiro voo que ganhou o mundo, enaltecendo a força da mulher brasileira e sua representatividade social. Foi aqui, em sua cidade natal, que, ainda adolescente, viu um avião pela primeira vez durante as celebrações da Festa do Divino, despertando sua paixão pela aviação.
Enquanto cursava Farmácia e Odontologia, atuava como jornalista no Diário de Itapetininga e aos 17 anos, movida pela determinação de tornar-se piloto, Anésia mudou-se para São Paulo e inscreveu-se no Aeroclube do Brasil, iniciando seus estudos de pilotagem com o instrutor alemão Fritz Roesler, veterano da Primeira Guerra Mundial.
No dia 17 de março de 1922, aos 18 anos, pilotando um biplano Caudron G.3, Anésia Pinheiro Machado realizou seu primeiro voo solo, tornando-se a primeira mulher a realizar um voo solo em céu brasileiro. Em 9 de abril de 1922, recebeu o brevê de número 77 da Federação Aeronáutica Internacional, concedido pelo Aeroclube do Brasil, sendo a segunda mulher a obter a licença de piloto no país.
Ainda no mesmo mês, Anésia acumulou outros feitos pioneiros: tornou-se a primeira brasileira a realizar um voo com passageiro, em 23 de abril de 1922, e a primeira a realizar um voo acrobático. Em 18 de maio de 1922, atingiu a marca de 4.124 metros de altitude, estabelecendo novo recorde feminino para a época.
Em 5 de setembro de 1922, como parte das comemorações do Centenário da Independência do Brasil, Anésia empreendeu o primeiro voo interestadual realizado por uma mulher no país, partindo de São Paulo com destino ao Rio de Janeiro, pilotando o mesmo Caudron G.3, que batizou de "Bandeirante". A viagem durou quatro dias, com voos diários de aproximadamente uma hora e meia, devido à necessidade de reabastecimento e manutenção da aeronave.
Ao chegar ao Rio de Janeiro, foi recebida por autoridades e pela imprensa como heroína. Sua maior consagração veio do "Pai da Aviação", Alberto Santos Dumont, que lhe enviou carta de parabéns e presenteou-a com uma réplica da medalha de São Bento que recebera da Princesa Isabel. Anésia carregou consigo essa medalha pelo resto da vida, como símbolo de reconhecimento e amuleto de sorte.
No mesmo ano de 1922, Anésia participou do Primeiro Congresso Feminista internacional como delegada da Liga Paulista pelo Progresso Feminino, unindo sua trajetória aeronáutica à luta pelos direitos das mulheres . Seu engajamento feminista manifestava-se em discursos como o proferido em 1940: "Em qualquer iniciativa ligada à aviação, só os homens são convidados a tomar parte. Parece que ninguém confia na perícia de uma aviadora, quando estamos prontas para dar a prova das nossas habilidades. Precisamos de estímulo e merecemos estímulo porque temos o mesmo direito que os homens têm de prestar serviço à nossa pátria".
Em 1924, solidária à causa tenentista, Anésia apoiou a Revolta Paulista, voando para lançar panfletos sobre as tropas legalistas com a frase: "E se fosse uma bomba?". Por sua participação, foi presa e proibida de voar por 14 anos, período em que se dedicou ao jornalismo especializado em aviação, mantendo coluna no jornal O Paiz, e atuou no Departamento de Imprensa e Propaganda e na Assembleia Legislativa.
Em 1940, com a regularização de sua situação, Anésia retomou a carreira, obtendo as licenças de piloto privado e comercial pelo Departamento de Aviação Civil. No mesmo ano, participou do primeiro campeonato feminino da "Semana da Asa", organizado pelo Aeroclube do Brasil, ao lado de Ada Rogato, Rosa Schorling e outras pioneiras.
Em maio de 1940, realizou apresentação acrobática a bordo de um Bucker-Jungman para a presidente da Women's International Association of Aeronautics, Mrs. Ulysses Grant McQuenn, que ficou impressionada com seu desempenho e estendeu sua visita ao Brasil.
Em 1943, Anésia foi convidada pelo governo dos Estados Unidos para realizar curso avançado de aviação em Houston, no Texas, onde conquistou as licenças de Piloto Comercial e Instrutora de Voo, sendo a primeira pessoa a obter tais qualificações com rating por instrumentos. Posteriormente, atuou como instrutora de voo por instrumentos na Panair do Brasil e no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva da Força Aérea Brasileira.
Em 1951, realizou um voo transcontinental de Nova York ao Rio de Janeiro, percorrendo mais de 17 mil quilômetros em um avião Kian-Navion Super 260, entregando mensagens de saudação a presidentes das Américas em nome da Organização dos Estados Americanos. No mesmo ano, tornou-se a primeira brasileira a cruzar a Cordilheira dos Andes, em voo de Santiago do Chile a Mendoza, na Argentina.
A partir de 1956, dedicou-se a difundir internacionalmente o legado de Santos Dumont. Sua atuação foi decisiva para que uma cratera da lua recebesse o nome do aviador brasileiro, aprovação obtida durante a 15ª Assembleia Geral da União Aeronáutica Internacional, realizada na Austrália. Também viabilizou a doação de réplicas do 14-Bis e do dirigível de Santos Dumont ao Museu de Aviação Smithsonian, em Washington.
Anésia Pinheiro Machado faleceu no Rio de Janeiro em 10 de maio de 1999, aos 94 anos. Suas cinzas encontram-se em urna no acervo do Museu de Cabangu, na cidade de Santos Dumont, Minas Gerais.
PRINCIPAIS FEITOS E CONTRIBUIÇÕES
• 1922: Primeira mulher a realizar voo solo em céu brasileiro (17 de março)
• 1922: Segunda mulher a obter brevê de piloto no Brasil (9 de abril)
• 1922: Primeira brasileira a realizar voo com passageiro (23 de abril)
• 1922: Primeira brasileira a realizar voo acrobático
• 1922: Recordista feminina de altitude (4.124 metros) em 18 de maio
• 1922: Primeira mulher a realizar voo interestadual no Brasil (São Paulo–Rio de Janeiro, setembro)
• 1922: Participação no Primeiro Congresso Feminista Internacional como delegada da Liga Paulista pelo Progresso Feminino
• 1940: Participação no primeiro campeonato feminino da "Semana da Asa"
• 1943: Primeira pessoa a obter nos Estados Unidos as licenças de Piloto Comercial e Instrutora de Voo com rating por instrumentos
• 1943-1950: Instrutora de voo por instrumentos na Força Aérea Brasileira e na Panair do Brasil
• 1951: Primeira brasileira a cruzar a Cordilheira dos Andes
• 1951: Voo transcontinental Nova York–Rio de Janeiro (mais de 17 mil km)
• 1952: Proclamada Decana Mundial da Aviação Feminina pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI)
• 1989: Prêmio Edward Warner, mais alta distinção da aviação civil mundial, concedido pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO)
IMPORTÂNCIA DE ANÉSIA PINHEIRO MACHADO COMO PATRONÍMICO DA UNIDADE ESCOLAR
Reconhecida internacionalmente como a "Decana Mundial da Aviação Feminina" pela Federação Aeronáutica Internacional e laureada com o Prêmio Edward Warner, a mais alta distinção da aviação civil mundial, Anésia Pinheiro Machado figura entre as personalidades brasileiras de maior relevância no cenário internacional.
Em sua terra natal, Itapetininga, uma estátua em sua homenagem foi erguida como testemunho do orgulho que a cidade nutre por sua filha ilustre. O documentário "Anésia: Um Voo no Tempo" (1999), da diretora Ludmila Ferolla, registrou para a posteridade sua extraordinária trajetória.
Ao adotar Anésia Pinheiro Machado como patronímico, a unidade escolar reafirma seu compromisso com uma educação que valoriza:
• O pioneirismo como estímulo à inovação e à superação de limites
• A igualdade de gênero como princípio fundamental da cidadania
• A coragem como virtude necessária à realização de grandes empreendimentos
• A perseverança diante das adversidades
• A identidade local como fundamento do pertencimento e do orgulho comunitário
A nomeação desta escola constitui ato de justiça histórica e resgate da memória cultural do município, oferecendo às futuras gerações um exemplo inspirador de determinação, competência e amor à liberdade, enaltecendo a figura da mulher frente aos desafios sociais e ao empoderamento da atuação diante das diversas áreas da comunidade.
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CONSIDERAÇÃO FINAL
A comunidade de Itapetininga, por meio de suas manifestações culturais e do reconhecimento público já expresso na estátua erguida em homenagem à aviadora, demonstra amplo apoio à perpetuação do nome de Anésia Pinheiro Machado em equipamento público de educação.
A criação da "Escola Estadual Anésia Pinheiro Machado" constitui ato de justiça histórica com a memória daquela que elevou o nome de Itapetininga aos céus do Brasil e do mundo, e oferece às futuras gerações um exemplo inspirador de pioneirismo e superação.