PELA ISENÇÃO DO PEDÁGIO CASCAVEL - TOLEDO PARA OS MORADORES DO EIXO
Para: Diretoria da EPR Iguaçu, Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT
Nós, cidadãos da região Oeste do Paraná, manifestamos nossa profunda preocupação e inconformidade com a implantação do sistema de pedágio eletrônico Free Flow, pedágio eletrônico no trecho da rodovia BR-467 que conecta os municípios de Cascavel e Toledo.O ponto de cobrança foi instalado entre Cascavel e o distrito de Sede Alvorada, criando na prática uma situação em que moradores precisam pagar pedágio para realizar deslocamentos cotidianos dentro da própria cidade.Cascavel possui aproximadamente 350 mil habitantes e Toledo cerca de 150 mil, formando um eixo urbano integrado de aproximadamente 500 mil pessoas, com intensa circulação de trabalhadores, estudantes, empresários, produtores rurais e usuários de serviços de saúde e educação.A ligação entre essas cidades é realizada principalmente pela BR-467, rodovia que funciona como corredor estruturante da mobilidade regional. A intensidade do tráfego regional pode ser observada no complexo rodoviário do Trevo Cataratas, em Cascavel, que registra mais de 45 mil veículos por dia, evidenciando o elevado fluxo de deslocamentos na região.A realidade da região é marcada por forte migração pendular entre Cascavel e Toledo. Todos os dias milhares de pessoas se deslocam entre as cidades para trabalho, estudo, comércio e acesso a serviços. Além disso, um número significativo de moradores mantém vínculos regulares com ambas as cidades, vivendo parte da semana em uma e retornando nos finais de semana à outra.Na prática, Cascavel e Toledo funcionam como um sistema urbano regional integrado, com intensa interdependência econômica, social e educacional.Nesse contexto, a instalação de pedágio nesse ponto cria uma barreira territorial artificial dentro de um eixo de mobilidade regional, prejudicando diretamente a circulação da população.O impacto econômico da cobrança é ainda mais grave.A distância média entre as cidades é de aproximadamente 40 km, totalizando cerca de 80 km em um deslocamento diário de ida e volta.Considerando um consumo médio de 12 km por litro, um veículo comum consome cerca de 6,7 litros de combustível nesse trajeto. Com o preço médio da gasolina em torno de R$5,80 por litro, o custo diário de combustível para esse deslocamento gira em torno de R$38 a R$40.A tarifa prevista de pedágio é de R$9,40 por passagem, totalizando R$18,80 por dia.Isso representa um aumento de aproximadamente 48% no custo do deslocamento diário.Esse aumento não é apenas significativo — ele torna economicamente impraticável o deslocamento cotidiano para milhares de trabalhadores, estudantes e famílias da região e devasta a economia de ambas as cidades.Também é fundamental destacar que o trecho em questão já se encontra totalmente duplicado, demandando essencialmente manutenção rotineira de infraestrutura, atividade historicamente executada pelo poder público, com recursos já inclusos para esse destino no recolhimento de impostos.Diante disso, torna-se ainda mais difícil justificar a imposição de um custo adicional dessa magnitude sobre a população local.A cobrança integral de pedágio nesse trecho penaliza diretamente a população que depende da rodovia para atividades básicas do cotidiano e cria um obstáculo ao desenvolvimento econômico regional.Diante desse cenário, solicitamos às autoridades responsáveis pela concessão da rodovia, especialmente à Agência Nacional de Transportes Terrestres e ao Ministério dos Transportes, a adoção das seguintes medidas:Isenção total de cobrança de pedágio para moradores de Cascavel, Toledo e das comunidades localizadas ao longo do trecho entre os dois municípios, mediante cadastro simples.Garantia de que deslocamentos locais dentro desse eixo regional não sejam onerados por tarifas de pedágio.Revisão da política de cobrança nesse trecho da rodovia, considerando a realidade de integração urbana e econômica existente entre os municípios.Abertura imediata de diálogo com autoridades municipais, representantes da sociedade civil e a população regional para avaliação dos impactos sociais e econômicos da cobrança.Reconhecemos a importância da manutenção e da melhoria da infraestrutura rodoviária nacional. No entanto, tais políticas não podem ignorar a realidade social e econômica das regiões diretamente afetadas.A implantação de pedágio em um eixo de mobilidade regional essencial como o que liga Cascavel e Toledo representa um obstáculo desproporcional à circulação da população e ao desenvolvimento regional.Por essas razões, solicitamos a revisão urgente das condições de cobrança nesse trecho da rodovia.