MANIFESTO - O Futuro da ciência em nossas mãos!
Para: Governo Federal, Congresso Nacional
O FUTURO DA CIÊNCIA EM NOSSAS MÃOS
Em defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro
A Universidade Federal do Rio de Janeiro não é apenas um espaço de salas de aula. Ela é um dos principais pilares da produção científica, cultural e intelectual do Brasil. É na UFRJ que se desenvolvem pesquisas que impactam diretamente a vida do povo brasileiro, da saúde pública à energia, da educação à tecnologia, do combate às desigualdades e à inovação industrial.
A UFRJ é responsável por milhares de pesquisas ativas, centenas de programas de pós-graduação e uma das maiores produções acadêmicas da América Latina. Seus laboratórios contribuíram decisivamente para o enfrentamento da pandemia, para estudos sobre vacinas, para pesquisas estratégicas na área de petróleo e energia, para a produção de conhecimento sobre mudanças climáticas, políticas públicas, cultura e soberania nacional.
Instituições como a COPPE/UFRJ são referência internacional em engenharia e inovação. O Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e o Instituto de Microbiologia Paulo de Góes estão na linha de frente da pesquisa biomédica no país. O Museu Nacional, mesmo após o incêndio, segue como símbolo da reconstrução da ciência brasileira.
Mas a UFRJ também é referência na produção artística, arquitetônica, jurídica e humanística do país. A Escola de Belas Artes da UFRJ formou gerações de artistas que marcaram a história cultural brasileira. A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ é protagonista no debate sobre cidade, habitação e planejamento urbano. A Faculdade Nacional de Direito da UFRJ teve papel central na formação de juristas, ministros e intelectuais que ajudaram a construir a democracia brasileira. A Faculdade de Letras da UFRJ é referência nacional na produção literária e linguística, enquanto o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ abriga alguns dos mais importantes nomes do pensamento social brasileiro.
A produção acadêmica dessas unidades já foi reconhecida com prêmios nacionais e internacionais, distinções científicas e culturais e contribuições decisivas para o debate público brasileiro. Defender a UFRJ é também defender a arte, o pensamento crítico, a arquitetura das nossas cidades, o direito democrático e a produção cultural do país. Mas não existe ciência, nem produção acadêmica, sem investimento.
Nos últimos anos, as universidades federais enfrentam cortes orçamentários profundos. O subfinanciamento compromete bolsas, manutenção de laboratórios, ateliês, bibliotecas, assistência estudantil, infraestrutura, pesquisa e extensão. Coloca em risco a permanência estudantil e ameaça diretamente a continuidade de projetos estratégicos para o desenvolvimento nacional.
Defender a UFRJ é defender a produção de vacinas e medicamentos nacionais, é defender a pesquisa em energias renováveis, é defender o desenvolvimento tecnológico soberano, é defender a formação de professores, médicos, engenheiros, artistas, arquitetos, juristas e cientistas, é defender a permanência de estudantes de baixa renda e a democratização do acesso ao conhecimento. Cada real investido na universidade pública retorna à sociedade em forma de inovação, desenvolvimento econômico, fortalecimento da cultura, políticas públicas mais eficientes e melhoria da qualidade de vida.
A ciência e a produção acadêmica brasileira não podem viver de incertezas. Por isso, afirmamos: o futuro da ciência está em nossas mãos. Está nas mãos de estudantes, técnicos, docentes e também da sociedade que reconhece na universidade pública um patrimônio coletivo.
Chamamos toda a sociedade a se somar na defesa da UFRJ e das universidades públicas brasileiras. É urgente garantir mais orçamento, previsibilidade financeira e compromisso do Estado com a educação, a pesquisa e a cultura. Não há soberania sem ciência nem desenvolvimento sem universidade pública.
A UFRJ é do povo.
Não há futuro sem investimento.
DCE UFRJ - Março 2026