CARTA PERMANÊNCIA É DIREITO!
Para: Reitoria da USP
A greve dos estudantes da USP já chega a um mês de duração. Esse processo se iniciou a partir da organização de alunos e alunas dos mais diversos cursos para questionar as condições de estudo dentro da nossa universidade. No último período, presenciaram-se consequências da precarização, como auxílios estudantis insuficientes, restaurantes universitários servindo refeições impróprias e moradias estudantis em péssimas condições.
A legítima luta dos estudantes exprime interesses que deveriam ser gerais da universidade, como a popularização da USP e a garantia de condições dignas para estudar. A principal reivindicação do movimento estudantil para que se avance nesse sentido é o aumento do PAPFE. É justo reivindicar que a universidade faça um debate sobre a necessidade de tornar a permanência estudantil um eixo central do seu orçamento; afinal, são os estudantes, cada vez mais diversos e de diferentes origens sociais, a razão de ser da USP.
Todas as últimas ações da greve estudantil tiveram como centro a exigência de negociação com a Reitoria, buscando garantir que essas reivindicações ganhem contornos encaminhativos e também assegurar que os estudantes não sofram nenhum tipo de retaliação por se organizarem para lutar por suas pautas. Essas requisições estão plenamente alinhadas com as aspirações democráticas que se construíram dentro da Universidade de São Paulo ao longo das últimas décadas, como na heróica resistência à Ditadura Militar por parte de estudantes, docentes e servidores técnicos-administrativos, ou na batalha pela aprovação das cotas sociais e étnico-raciais.
As cenas da última semana, em que a Polícia Militar invade o campus — um território que deveria ser de liberdade e democracia —, devem ser motivo de preocupação para toda a comunidade, afinal, significam uma ameaça à autonomia universitária. A Universidade de São Paulo precisa ser firme e assumir o papel de combater plenamente o que a violência policial cometida contra estudantes representa.
Para superar a crise instaurada contra a autonomia universitária e contra a democracia na nossa universidade, é necessário que a USP tome a decisão de escutar e atender às demandas objetivas colocadas pelos estudantes e reconheça a legitimidade de lutar por elas. Isso só será possível com uma mesa de negociação que avance nas políticas de permanência na USP e com a garantia de que nenhum estudante sofrerá punição ou retaliação.
Atender à demanda dos estudantes por permanência estudantil é defender a democracia universitária e fortalecer a educação pública, gratuita e socialmente referenciada.