Pelo atendimento digno às mulheres com endometriose e adenomiose no SUS
Para: • Ministério da Saúde; • Secretarias Estaduais de Saúde; • Secretarias Municipais de Saúde; • Congresso Nacional; • Governadores e Prefeituras; • Ministério Público; • Comissão de Saúde da Câmara e do Senado.
Destinado ao Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, Congresso Nacional, Ministério Público e demais autoridades responsáveis pela saúde pública da mulher no Brasil.
Nós, mulheres portadoras de endometriose e adenomiose, familiares, profissionais da saúde e cidadãos brasileiros, viemos por meio desta petição denunciar o abandono estrutural enfrentado diariamente por milhares de mulheres no Brasil em razão da negligência no atendimento e tratamento dessas doenças pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A endometriose e a adenomiose são doenças crônicas, inflamatórias e potencialmente incapacitantes, reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde, que afetam profundamente a qualidade de vida física, emocional, profissional e social das mulheres.
Enquanto muitos ainda reduzem essas doenças a uma simples “cólica forte”, milhares de mulheres convivem diariamente com:
• dores incapacitantes;
• sangramentos intensos;
• inflamação pélvica;
• dores lombares e intestinais;
• fadiga extrema;
• alterações urinárias e gastrointestinais;
• dificuldades de locomoção;
• infertilidade;
• sofrimento psicológico;
• perda da capacidade laboral;
• isolamento social;
• depressão e adoecimento emocional causados pela dor crônica e pela negligência médica.
Mesmo diante de um problema grave de saúde pública, a realidade do SUS em inúmeros estados e municípios brasileiros é marcada por:
• demora de anos para diagnóstico;
• ausência de especialistas capacitados;
• falta de exames adequados;
• inexistência de ambulatórios especializados;
• filas abusivas para cirurgias;
• ausência de acompanhamento multidisciplinar;
• dificuldade de acesso a medicamentos e terapias;
• desinformação;
• invalidação da dor feminina;
• violência médica e institucional;
• abandono das pacientes que já se encontram em estágios avançados da doença.
Muitas mulheres são obrigadas a judicializar tratamentos, abandonar empregos, interromper estudos, comprometer relacionamentos e viver em sofrimento constante enquanto aguardam um cuidado que deveria ser básico e garantido constitucionalmente.
A saúde da mulher não pode continuar sendo tratada com descaso.
Diante dessa realidade, EXIGIMOS:
1. Diagnóstico precoce e humanizado
• capacitação efetiva dos profissionais da saúde para identificação precoce da endometriose e adenomiose;
• combate à normalização da dor feminina;
• redução do tempo de espera para investigação diagnóstica.
2. Ampliação do acesso a exames
• acesso digno e ágil a ressonâncias, ultrassons especializados e demais exames necessários;
• descentralização dos serviços diagnósticos.
3. Criação e fortalecimento de centros especializados
• implantação de centros de referência em endometriose em estados e municípios;
• atendimento especializado e contínuo às pacientes.
4. Redução urgente das filas cirúrgicas
• ampliação da oferta de cirurgias pelo SUS;
• transparência sobre filas e tempo de espera;
• prioridade para casos graves e incapacitantes.
5. Tratamento multidisciplinar completo
• acesso a ginecologistas especializados, fisioterapia pélvica, psicologia, nutrição, controle da dor e demais áreas necessárias ao cuidado integral.
6. Acesso a medicamentos e terapias
• garantia de acesso aos medicamentos hormonais e tratamentos indicados;
• ampliação da assistência farmacêutica às pacientes.
7. Combate à violência médica e institucional
• fiscalização de condutas negligentes;
• humanização do atendimento;
• acolhimento digno às mulheres com dor crônica.
8. Implementação efetiva de políticas públicas
• cumprimento dos protocolos já existentes;
• criação de ações concretas de atenção à saúde da mulher com endometriose e adenomiose;
• campanhas nacionais de conscientização.
Nós não estamos pedindo privilégios.
Estamos exigindo dignidade, respeito e acesso real à saúde.
Não aceitaremos mais que mulheres precisem adoecer em silêncio, implorar por atendimento ou esperar anos enquanto a doença avança dentro de seus corpos.
A dor da mulher precisa deixar de ser ignorada.
Endometriose não é frescura.
Dor não é normal.
Negligência também mata.