Conflito de Interesse Diretor SBI
Para: Sociedade Brasileira de Infectologia
Prezado Presidente Ricardo Diaz,
Os abaixo assinados solicitam o posicionamento da Comissão de Ética e Assuntos Profissionais sobre possível conflito de interesses do Segundo Tesoureiro, Thor Dantas, atual candidato a Governador do Acre.
Um diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia tem pleno direito constitucional de se candidatar a governador ou a qualquer cargo eletivo. O problema não é a candidatura em si, mas os potenciais conflitos de interesse que podem surgir entre suas funções associativas e seus interesses político-partidários.
### 1. Uso da credibilidade institucional para benefício eleitoral
A SBI é uma entidade científica. Existe risco de que a imagem, reputação, estrutura ou prestígio da sociedade sejam percebidos como instrumentos de promoção da candidatura. Isso pode comprometer a necessária independência institucional e criar a impressão de apoio oficial da entidade a determinado projeto político.
### 2. Confusão entre posições científicas e posições partidárias
Um diretor frequentemente fala em nome da sociedade. Durante uma campanha, pode tornar-se difícil distinguir quando ele expressa uma posição técnica da infectologia e quando está defendendo uma agenda eleitoral. Isso pode gerar questionamentos sobre a neutralidade científica da entidade.
### 3. Influência sobre pautas institucionais
Há risco de direcionamento de posicionamentos da sociedade para temas que favoreçam a plataforma eleitoral do candidato, ainda que de forma indireta. Mesmo sem má-fé, a seleção de prioridades institucionais pode ser percebida como contaminada por interesses políticos.
### 4. Utilização de eventos científicos como plataforma política
Congressos, cursos, entrevistas e manifestações públicas promovidos pela sociedade podem tornar-se espaços de exposição do candidato. O Código de Ética Médica enfatiza que a atividade médica e científica não deve ser explorada para finalidades políticas.
### 5. Relação com governos e autoridades
A SBI frequentemente dialoga com ministérios, secretarias de saúde, parlamentares e órgãos reguladores. Um diretor-candidato pode ter interesse eleitoral direto em determinadas decisões governamentais, criando dúvida sobre a motivação de sua atuação institucional.
### 6. Captação de recursos e patrocinadores
Patrocinadores da sociedade podem ser interpretados como financiadores indiretos de exposição política caso haja sobreposição entre atividades institucionais e campanha eleitoral. A simples aparência desse conflito já pode ser prejudicial.
### 7. Representação desigual dos associados
A SBI reúne profissionais com diferentes orientações ideológicas. Quando um dirigente assume protagonismo eleitoral, parte dos associados pode sentir que a entidade deixou de representar a pluralidade da categoria para se associar a um projeto político específico.
### 8. Acesso privilegiado a informações e redes institucionais
O dirigente possui contatos, listas de relacionamento, canais de comunicação e visibilidade acumulados em função do cargo. O uso desses ativos para fins eleitorais configuraria conflito de interesses relevante.
Considerando as boas práticas de governança, o Diretor Thor Dantas deveria solicitar licenciamento ou afastamento temporário do cargo diretivo durante a campanha, além da proibição de utilização da marca, estrutura e canais de comunicação da entidade para fins eleitorais.