Resgatar uma família de Capivaras da Praia de Cabeçudas - Itajaí SC.
Para: Prefeitura Municipal de Itajaí SC, IBAMA, INIS, População de Itajaí, turistas, atletas e Usuários da praia de Cabeçudas.
AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO MUNICIPAL DE ITAJAÍ
À Fundação Municipal do Meio Ambiente – FAMAI
Ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina – IMA
Ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA
ASSUNTO
Solicitação de adoção urgente de medidas de manejo e eventual translocação da população de capivaras existente na Praia de Cabeçudas, visando à proteção da saúde pública, da segurança da população, do patrimônio turístico municipal e do bem-estar da fauna silvestre.
Excelentíssimo Senhor Prefeito,
Os moradores, frequentadores e usuários da Praia de Cabeçudas vêm, respeitosamente, requerer a adoção de providências urgentes por parte do Município de Itajaí e dos órgãos ambientais competentes para avaliação técnica e implementação de um plano de manejo da população de capivaras atualmente instalada na região da encosta do Morro do Farol, junto à Praia de Cabeçudas, nas proximidades do Iate Clube de Cabeçudas.
O presente requerimento não possui qualquer objetivo de causar dano aos animais, mas sim buscar uma solução técnica que preserve simultaneamente a fauna silvestre, a saúde pública e a segurança da população.
A oportunidade de agir é agora
Levantamentos realizados por moradores indicam que a população atualmente é composta por aproximadamente oito capivaras.
Embora ainda reduzido, esse número representa uma oportunidade extremamente favorável para intervenção preventiva.
A capivara é uma espécie com elevada capacidade reprodutiva e, caso nenhuma medida seja adotada, a tendência é de crescimento populacional ao longo dos próximos anos.
Intervenções realizadas quando a população ainda é pequena apresentam inúmeras vantagens:
* maior viabilidade técnica;
* menor custo ao poder público;
* menor impacto ambiental;
* maior eficiência do manejo;
* redução dos riscos futuros à população.
Adiar a adoção de medidas poderá tornar a situação significativamente mais complexa, exigindo operações muito maiores e mais onerosas.
A praia não é habitat natural para capivaras
A Praia de Cabeçudas constitui uma área urbana intensamente utilizada pela população e não representa habitat adequado para manutenção permanente dessa espécie.
Os animais permanecem entre a vegetação da encosta do Morro do Farol, a faixa de areia, calçadas e vias públicas, convivendo diariamente com intenso fluxo de pessoas.
Essa ocupação evidencia desequilíbrio ambiental que merece atenção técnica dos órgãos competentes.
Busca por alimentos no bairro
Outro aspecto preocupante é a crescente observação de capivaras deslocando-se pelas ruas do bairro em busca de alimento.
Moradores relatam a presença dos animais em jardins, calçadas, áreas residenciais e vias públicas, indicando que os recursos alimentares disponíveis na área atualmente ocupada podem já não ser suficientes para sustentar adequadamente o grupo.
Essa alteração de comportamento aumenta progressivamente a interação entre animais silvestres e seres humanos, elevando o risco de acidentes e conflitos.
Riscos à saúde pública
A permanência das capivaras na faixa de areia vem ocasionando significativo acúmulo de fezes em diversos pontos da praia.
A areia constitui ambiente de contato direto com crianças, banhistas, praticantes de esportes, idosos e animais domésticos.
Embora seja necessária avaliação técnica específica pelas autoridades sanitárias, é reconhecido que fezes de mamíferos silvestres podem conter bactérias, protozoários e parasitas capazes de representar risco à saúde humana.
Além disso, em determinadas regiões brasileiras, capivaras participam do ciclo ecológico do carrapato-estrela, vetor da febre maculosa, razão pela qual recomenda-se monitoramento permanente da situação pelas autoridades competentes.
A adoção de medidas preventivas antes do agravamento do cenário demonstra responsabilidade sanitária e ambiental.
Riscos à segurança da população
Apesar de normalmente apresentarem comportamento tranquilo, capivaras são animais silvestres de grande porte.
Quando acuadas, surpreendidas ou acompanhadas de filhotes, podem reagir de forma defensiva, ocasionando mordidas e ferimentos.
Também cresce o risco de:
* acidentes envolvendo crianças;
* conflitos com animais domésticos;
* atropelamentos;
* acidentes com ciclistas e pedestres.
Quanto maior a população, maior tende a ser a frequência dessas ocorrências.
Cabeçudas é patrimônio de toda a cidade
A Praia de Cabeçudas ultrapassa os limites de um simples bairro.
Trata-se de um dos mais tradicionais cartões-postais de Itajaí e de um dos principais espaços públicos de lazer do Município.
Diariamente, a praia recebe moradores de diversos bairros, visitantes da região, turistas nacionais e estrangeiros que utilizam sua faixa de areia para banho, recreação, esportes, caminhadas e convivência familiar.
Durante a temporada de verão, milhares de pessoas frequentam o local, tornando a preservação de suas condições de higiene, segurança e salubridade uma questão de interesse coletivo.
A presença permanente de capivaras na faixa de areia, associada ao acúmulo de fezes e à crescente interação com os usuários, compromete a utilização plena desse importante espaço público e pode afetar a imagem turística de um dos mais importantes patrimônios naturais do Município.
Proteção da fauna
A solução pretendida não consiste em eliminar os animais.
Ao contrário.
Busca-se que seja elaborado, pelos órgãos competentes, um plano técnico de manejo que contemple:
* levantamento populacional;
* avaliação veterinária;
* monitoramento ambiental;
* eventual translocação para ambiente ecologicamente adequado;
* ações que impeçam nova ocupação da praia.
Essa medida protege tanto a população quanto as próprias capivaras.
DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer-se:
1. A realização imediata de vistoria técnica na área ocupada pelas capivaras;
2. O levantamento oficial da população existente e seu monitoramento contínuo;
3. A realização de avaliação sanitária quanto aos impactos do acúmulo de fezes na faixa de areia;
4. A elaboração de estudo técnico sobre os riscos decorrentes da permanência da espécie em área urbana de intenso uso público;
5. A implementação, com a máxima urgência, de plano de manejo e eventual translocação dos animais para habitat ambientalmente adequado, observadas todas as normas legais aplicáveis;
6. A adoção de medidas preventivas para evitar o crescimento descontrolado da população e a reocupação da área;
7. A instalação de sinalização orientando a população a não alimentar nem interagir com os animais;
8. A divulgação pública das providências adotadas e do cronograma de execução.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente requerimento fundamenta-se na necessidade de conciliar a proteção da fauna silvestre com a preservação da saúde pública, da segurança da população e da qualidade ambiental da Praia de Cabeçudas.
A atuação preventiva, neste momento, permitirá que o manejo seja realizado de forma mais simples, eficiente e econômica, antes que o crescimento populacional torne a situação muito mais complexa.
Proteger as capivaras significa também proporcionar-lhes um ambiente compatível com suas necessidades ecológicas.
Proteger a Praia de Cabeçudas significa preservar um patrimônio natural, turístico e social que pertence a toda a população de Itajaí e aos milhares de visitantes que escolhem o município como destino de lazer.
Diante da relevância da matéria, espera-se a pronta atuação do Poder Público e dos órgãos ambientais competentes, em benefício da coletividade e da conservação responsável da fauna silvestre.
Nestes termos, pede deferimento.
Itajaí/SC, 20 de Junho de 2026.
Moradores de Itajaí, frequentadores e usuários da Praia de Cabeçudas.
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