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ABAIXO-ASSINADO PELA SUBSTITUIÇÃO DOS SEMÁFOROS POR PASSARELAS NA DF-027 (EPJK) E NA DF-001 (EPCT)

Para: Ao Governo do Distrito Federal – GDF Ao Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal – DER/DF À Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal – SEMOB/DF

Nós, moradores, trabalhadores e usuários das rodovias DF-027 (Estrada Parque Juscelino Kubitschek – EPJK) e DF-001 (Estrada Parque Contorno – EPCT), vimos solicitar ao Governo do Distrito Federal e ao Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal a reavaliação da implantação e manutenção de travessias semaforizadas nesses importantes eixos viários e sua substituição, sempre que tecnicamente possível, por passarelas de pedestres acessíveis e outras soluções de travessia em desnível.

Não questionamos a necessidade de garantir travessias seguras aos pedestres. Ao contrário: entendemos que a segurança de quem atravessa essas rodovias deve ser prioridade. O que se questiona é se a interrupção do tráfego de milhares de veículos por meio de semáforos constitui a solução mais eficiente, segura e adequada para rodovias que exercem função estrutural na mobilidade da região leste do Distrito Federal.

POR QUE DEFENDEMOS AS PASSARELAS?

A região do Jardim Botânico, São Sebastião, Tororó, Jardins Mangueiral e áreas adjacentes experimentou intenso crescimento populacional nos últimos anos, enquanto grande parcela dos deslocamentos diários continua concentrada em poucos corredores de acesso ao Plano Piloto.

Nesse contexto, cada interrupção adicional do fluxo nas principais rodovias pode produzir filas que se propagam por quilômetros, especialmente nos horários de pico.

A própria política recente de mobilidade do Governo do Distrito Federal demonstra a importância de eliminar conflitos em nível e manter o tráfego contínuo. O Viaduto do Jardim Botânico, inaugurado na DF-001, recebeu investimento de aproximadamente R$ 33,5 milhões justamente com o objetivo de proporcionar maior fluidez e segurança ao tráfego de dezenas de milhares de usuários que passam diariamente pela região.

A implantação sucessiva de novos pontos semaforizados nos mesmos corredores pode caminhar em sentido contrário a esse esforço.

1. PASSARELAS PERMITEM CONCILIAR SEGURANÇA DO PEDESTRE E FLUIDEZ DO TRÁFEGO

O debate não deve ser colocado como uma escolha entre o pedestre e o motorista.

Uma passarela adequadamente projetada, iluminada, acessível e integrada às calçadas e paradas de transporte coletivo permite separar fisicamente o fluxo de pedestres do fluxo de veículos.

Com isso, o pedestre pode realizar a travessia sem disputar espaço com automóveis, motocicletas, ônibus e caminhões, enquanto os veículos podem manter fluxo contínuo na rodovia.

Trata-se, portanto, de buscar uma solução que proteja quem está a pé sem criar um novo gargalo permanente para quem utiliza o corredor viário.

2. A DF-027 POSSUI CARACTERÍSTICAS INCOMPATÍVEIS COM A PROLIFERAÇÃO DE INTERRUPÇÕES SEMAFÓRICAS

A DF-027/EPJK é oficialmente classificada pelo próprio DER/DF como via de trânsito rápido.

Sua função é justamente permitir a ligação entre importantes eixos rodoviários e o acesso à Ponte JK, recebendo diariamente intenso fluxo proveniente das regiões do Jardim Botânico, São Sebastião e adjacências.

A implantação de sucessivas interrupções semafóricas em uma via com essa função merece, portanto, análise especialmente rigorosa quanto aos impactos sobre sua capacidade e sobre o sistema viário ao qual está conectada.

3. UM SEMÁFORO NÃO AFETA APENAS O PONTO ONDE É INSTALADO

Em corredores de grande movimento, a interrupção periódica dos veículos pode produzir efeitos muito além do local da travessia.

Filas podem alcançar acessos, retornos e cruzamentos anteriores, provocando redução da capacidade da rodovia e aumentando o chamado efeito “anda e para”.

Quando diversos semáforos são instalados em sequência, esses efeitos podem se acumular.

Por isso, entendemos que qualquer decisão de implantação de novos semáforos na DF-027 e na DF-001 deve considerar o corredor como um sistema, e não cada travessia isoladamente.

4. O CUSTO DA SOLUÇÃO NÃO PODE SER AVALIADO APENAS PELO PREÇO DA OBRA

Reconhecemos que uma passarela pode exigir investimento inicial superior ao de uma instalação semafórica.

Entretanto, a análise econômica de uma intervenção permanente de mobilidade urbana não deve considerar apenas o custo inicial de implantação.

Devem ser considerados, durante toda a vida útil da solução:

* custos de manutenção e substituição dos equipamentos semafóricos;
* consumo de energia;
* manutenção da sinalização;
* impacto das paradas e retomadas sobre o consumo de combustível;
* tempo adicional de deslocamento imposto diariamente aos usuários;
* emissão adicional de poluentes decorrente de congestionamentos;
* impacto sobre ônibus e demais serviços de transporte;
* custos econômicos decorrentes da perda de produtividade de milhares de pessoas;
* possibilidade de necessidade futura de obras mais caras para eliminar gargalos que poderiam ter sido evitados.

Uma solução inicialmente mais barata pode representar custo social e econômico muito superior ao longo de décadas.

5. A REGIÃO PRECISA DE PLANEJAMENTO DE LONGO PRAZO

O Distrito Federal já investiu dezenas de milhões de reais em intervenções destinadas a aumentar a capacidade e a fluidez do sistema viário do Jardim Botânico.

É necessário assegurar coerência entre esses investimentos.

Não parece razoável eliminar um gargalo mediante a construção de um viaduto e, simultaneamente, criar novos pontos de interrupção permanente poucos quilômetros adiante sem que a população tenha acesso a estudos demonstrando que essa é efetivamente a melhor solução.

A população da região não pede que a segurança dos pedestres seja sacrificada em benefício dos veículos.

Pede justamente o contrário: uma solução definitiva que permita atravessar com segurança sem obrigar milhares de veículos a parar sucessivamente em um corredor rodoviário de alta capacidade.

6. SEGURANÇA DAS FAIXAS DE PEDESTRES E RISCO AOS USUÁRIOS

Ressalta-se ainda que, após a instalação da faixa de pedestres na EPCT em frente ao Atacadão Dia a Dia, têm sido registrados constantes acidentes no local, evidenciando a fragilidade desse tipo de solução em rodovias de alto fluxo e alta velocidade.

Além disso, as faixas de pedestres, quando instaladas em vias desse porte, geram insegurança também aos próprios pedestres, que frequentemente não têm qualquer garantia de que todos os veículos irão parar.

Essa incerteza obriga o cidadão a realizar a travessia em situação de risco permanente, dependendo de uma reação imediata dos condutores, o que não é compatível com padrões adequados de segurança viária em corredores de trânsito rápido.

O QUE SOLICITAMOS

Diante disso, os signatários solicitam ao Governo do Distrito Federal e ao DER/DF:

1. A suspensão, sempre que ainda tecnicamente possível, da ativação definitiva de novos semáforos destinados predominantemente à travessia de pedestres na DF-027 e nos trechos da DF-001 diretamente relacionados ao corredor de acesso ao Jardim Botânico, até que sejam concluídos estudos comparativos das alternativas existentes;

2. A realização de estudo técnico de tráfego e mobilidade, considerando não apenas cada ponto isoladamente, mas os efeitos cumulativos da semaforização sobre todo o corredor DF-001 ? DF-027 ? Ponte JK;

3. A elaboração de estudo comparativo entre travessias semaforizadas e passarelas acessíveis, contemplando segurança viária, capacidade da rodovia, formação de filas, tempos de viagem, transporte coletivo, acessibilidade, custos de implantação, custos de manutenção e impactos econômicos ao longo da vida útil das soluções;

4. A divulgação pública dos estudos técnicos, contagens de tráfego, estudos de demanda de pedestres e demais documentos que fundamentaram a decisão de instalar os novos semáforos;

5. A priorização da construção de passarelas acessíveis, iluminadas e adequadamente integradas às calçadas, ciclovias e paradas de transporte coletivo nos locais em que os estudos demonstrarem sua viabilidade;

6. A substituição progressiva dos semáforos existentes destinados essencialmente à travessia de pedestres por soluções em desnível, nos pontos em que essa alternativa se mostrar tecnicamente adequada;

7. A realização de audiência ou consulta pública com os moradores e usuários das regiões afetadas antes da consolidação de novas intervenções que reduzam a capacidade dos principais corredores rodoviários da região.

SEGURANÇA PARA QUEM ATRAVESSA. FLUIDEZ PARA QUEM CIRCULA.

Não queremos escolher entre segurança viária e mobilidade.

Queremos as duas.

A região leste do Distrito Federal continuará crescendo, e as decisões tomadas hoje determinarão a qualidade dos deslocamentos de dezenas de milhares de pessoas durante muitos anos.

Por isso, pedimos ao Governo do Distrito Federal e ao DER/DF que privilegiem soluções de infraestrutura capazes de atender simultaneamente pedestres, usuários do transporte coletivo, ciclistas e motoristas, evitando transformar importantes corredores rodoviários em uma sucessão permanente de pontos de retenção.

Passarelas onde forem tecnicamente viáveis. Travessias seguras para os pedestres. Fluxo contínuo nas rodovias.

Assinam esta petição moradores, trabalhadores e usuários da DF-027, DF-001 e das regiões atendidas por esses corredores.
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Esta petição foi criada em 11 agosto 2026
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