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Petição pela adequação das condições nescessárias para a mudança do CETIG

Para: Comunidade escolar e população ganduense

Nós, professores/as, funcionários/as, estudantes, comunidade escolar, representados pelo Colegiado Escolar do Colégio de Tempo Integral de Gandu, vimos, por meio desta, manifestar-nos contrários à mudança abrupta da estrutura física escolar, hoje localizada na Praça Eliseu Leal, s/n, Almir Ramos Carneiro, Centro, para o prédio novo construído na Rua Vicinal, s/n, na zona rural do município. Queremos salientar a importância de um planejamento adequado para essa mudança, tendo em vista as implicações biopsicossociais, materiais, pedagógicas, logísticas e emocionais que decorrem deste processo.

No dia 23.09, fomos surpreendidos com o aviso de que precisaríamos mudar o ambiente de trabalho até o dia 29.09, ou seja, em menos de uma semana. Tal notícia nos indignou, pois não acreditamos que uma semana seja tempo hábil para concluir um processo que não contou com planejamento e diálogo junto à comunidade escolar, muito menos com um treinamento prévio da equipe de funcionários (principalmente cozinheiras e merendeiras, que sairão de uma cozinha comum para uma cozinha de grande porte) e também sem recomposição de funcionários para atender às necessidades de uma estrutura física maior, com novos desafios de adaptação. Tendo isso em vista, levantamos os seguintes questionamentos:

1. Em relação à segurança: Como nos sentimos seguros em um local onde não dispomos da estrutura urbana adequada? O ambiente onde a escola nova está localizada nem pode ser considerado bairro; falta iluminação, hoje restrita à iluminação interna da escola, além de ser um ambiente com pouca movimentação de pessoas, circulado de terrenos baldios, o que sujeita a comunidade escolar a situações reais de violência. Além disso, a falta de iluminação e pavimentação adequadas expõe as pessoas a riscos, inclusive de acidentes envolvendo animais que são criados nas redondezas, como vacas, cavalos etc.

2. Mobilidade: Como vamos chegar e sair de um local que não tem pavimentação, logística de transporte, sinalização de trânsito e que conta com uma “ponte” de madeira, improvisada, sem as devidas proteções laterais? Nossa escola é referência municipal no acolhimento e inclusão de estudantes com deficiência, que atualmente somam 51 estudantes matriculados na escola. Como atenderemos às necessidades específicas deste grupo, que possui dificuldades em acessar o novo local, devido à distância e à falta de ônibus adaptados?

3. Questões pedagógicas: Uma vez que não há cobertura de rede e, consequentemente, de internet, o que inviabiliza a realização de atividades técnicas e burocráticas, como frequências, pesquisas etc., como poderemos cumprir com os planejamentos? Além disso, nossos projetos em andamento para encerramento do ano letivo foram elaborados contando com a estrutura atual, inclusive, com o envolvimento da comunidade em torno da escola.

4. Questões emocionais: Como mudar para a escola nova sem nos despedirmos da antiga? A estrutura atual possui 54 anos de história junto ao município, por onde já passaram, em média, 47.596 estudantes, e a comunidade escolar merece uma despedida honrada, que valorize essa trajetória e as contribuições construídas ao longo desse tempo. A imposição de uma mudança abrupta impacta negativamente na qualidade do trabalho desenvolvido no ambiente escolar; a falta de diálogo referente às possibilidades tem causado sentimentos de ansiedade, angústia e até mesmo revolta.

5. Evasão escolar: Os estudantes do turno noturno foram considerados nesta mudança? Estudantes, sobretudo da EJA, do turno noturno, têm se posicionado contrários à mudança repentina, por todas as questões supracitadas no texto, demonstrando, inclusive, a possibilidade de desistir dos estudos, já na reta final do ano letivo, se esta mudança for efetivada.

Ao final, queremos destacar que nosso posicionamento não tem motivação político-partidária e não se insere no contexto eleitoral e que nós não somos contrários à inauguração durante este período. Entendemos a importância de uma estrutura maior, mais moderna, que garanta outras condições de desenvolvimento para nossos estudantes e para a população ganduense. O nosso posicionamento é contra as condições que estão sendo impostas para a mudança, “a toque de caixa”, sem a devida preparação da comunidade escolar, próximo à finalização do ano letivo, sem ouvir e considerar as demandas e a voz da comunidade escolar, que é a maior interessada nisso.

Queremos, portanto, afirmar que a nossa DECISÃO, enquanto colegiado escolar, instância representativa de docentes, estudantes, funcionários e responsáveis por estudantes, é permanecer no prédio escolar localizado no bairro Almir Ramos até o encerramento do ano letivo, para que, com tempo e preparação, possamos iniciar o ano letivo de 2027 na escola nova.
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Esta petição foi criada em 24 setembro 2026
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