MANIFESTO DOS PROFESSORES TEMPORÁRIOS
Para: GOVERNO GDF
MANIFESTO DOS PROFESSORES DO RECANTO DAS EMAS
Em defesa do vínculo pedagógico, da saúde emocional das crianças e da dignidade da categoria docente no DF
Nós, educadoras e educadores que atuamos na Regional de Ensino do Recanto das Emas — professores temporários e efetivos recém-empossados —, viemos a público manifestar nossa profunda indignação diante da recente reorganização e movimentação arbitrária de turmas promovida pelo Governo do Distrito Federal.
Sob a justificativa de convocações e tomadas de posse açodadas, o que assistimos na prática foi um verdadeiro desmonte do ano letivo e o esmagamento das condições de trabalho no Recanto das Emas. Uma decisão puramente política e eleitoreira que ignora a realidade pedagógica, financeira e humana do chão da escola.
1. O impacto emocional e a quebra de vínculo com as crianças
A educação não se faz apenas com conteúdo, mas com afeto, rotina e confiança. A retirada repentina dos professores no meio do ano letivo atinge brutalmente a saúde mental das crianças. O impacto é ainda mais severo sobre os estudantes com necessidades específicas, neurodivergentes (como autistas) e crianças com grande dificuldade de adaptação. Para muitas delas, foram necessários meses de acolhimento, paciência e construção diária até que se sentissem seguras com a professora. Quebrar essa referência de forma abrupta gera crises, regressão no desenvolvimento, sofrimento psíquico e indignação nas famílias, que viram todo o processo de adaptação do filho ser jogado fora. Além disso, profissionais foram retirados da Educação Infantil (1º e 2º períodos) e obrigados a assumir, sem qualquer transição, turmas de anos finais do Ensino Fundamental.
2. O drama financeiro e a destruição de lares
A demissão em massa e repentina de quase 200 professores temporários somente no Recanto das Emas não é apenas um dado estatístico: é uma tragédia humana e econômica. Tratam-se de profissionais que se planejaram, comprometeram sua renda e, em muitos casos, são os únicos arrimos de família. De um dia para o outro, mães e pais de família que mantiveram as escolas funcionando com excelência perderam o pão que leva sustento para dentro de casa. Não se pode descartar vidas e compromissos financeiros dessa maneira.
3. Abalos e deslocamento forçado para os novos efetivos
A posse de um concurso público deveria ser um momento de valorização, mas transformou-se em penalização. Professores recém-empossados, com turmas já consolidadas em regionais como Ceilândia, Samambaia e Taguatinga, foram impedidos de permanecer em suas vagas. Ao restringirem as opções de lotação e direcionarem a força de trabalho obrigatoriamente para o Recanto das Emas, impôs-se um enorme desgaste financeiro e logístico aos novos efetivos, obrigando-os a abandonar vagas que continuam necessitando de regência em suas regionais de origem.
O QUE EXIGIMOS:
Garantia de estabilidade emocional e pedagógica para os estudantes: Respeito imediato ao vínculo construído com as crianças, especialmente as que necessitam de rotina e previsibilidade pedagógica para o seu desenvolvimento.
Respeito à escolha e à territorialidade: Que os professores efetivos recém-empossados possam optar por permanecer nas regionais e turmas em que já vinham atuando.
Preservação dos contratos e da dignidade das famílias: O fim das demissões sumárias de professores temporários bem colocados que dependem dessa renda para o sustento de suas famílias.
A escola pública não é balcão de manobras políticas. Exigimos respeito com as nossas crianças, com as famílias do Recanto das Emas e com a vida de quem dedica todos os dias à educação!
Assinam este manifesto:
Professores Temporários, Efetivos, Mães, Pais e Comunidade Escolar da Regional do Recanto das Emas.