Apoie os Arquivos Musicais das Orquestras Brasileiras
Para: Orquestras Brasileiras e Sociedade Civil
Carta Aberta às Orquestras Brasileiras Pelo Fortalecimento e Reconhecimento dos Arquivos Musicais
Este documento é uma iniciativa promovida pelo Projeto COB – Conectando Orquestras Brasileiras (por meio do seu Grupo de Trabalho Orquestrando Arquivo), construída coletivamente por profissionais de diferentes áreas que integram ou se relacionam com o universo das orquestras, reunindo arquivistas, músicos, bibliotecários, museólogos e outros agentes envolvidos na gestão, organização, preservação e disponibilização dos acervos musicais.
Os arquivos musicais constituem parte fundamental da estrutura técnica, artística e institucional das orquestras. Seu trabalho contribui diretamente para a realização das atividades musicais, a organização dos processos de trabalho, a preservação da memória institucional e a salvaguarda do patrimônio musical. Garantir condições adequadas para sua gestão e continuidade é, portanto, parte do compromisso das instituições com sua própria história e com a sustentabilidade de suas atividades.
Apesar dessa relevância, os acervos musicais e os profissionais que atuam nessa área enfrentam desafios relacionados ao reconhecimento institucional, às condições de infraestrutura, à disponibilidade de recursos humanos e financeiros, à formação especializada e à implementação de políticas permanentes de gestão, preservação e acesso.
Construída a partir do diálogo entre profissionais que vivenciam diferentes realidades institucionais, esta carta busca dar visibilidade a essas questões e apresentar reivindicações e propostas concretas para o fortalecimento dos arquivos musicais nas orquestras brasileiras.
Dirigimo-nos às direções das orquestras, às instituições mantenedoras e aos demais agentes responsáveis pela gestão cultural para reivindicar o reconhecimento dos arquivos musicais como parte integrante da estrutura das instituições orquestrais, bem como o compromisso com as condições necessárias à sua organização, preservação, acesso e continuidade através de ações como:
• A inserção dos Arquivos Musicais nos organogramas, nos estatutos e regimentos das instituições, estabelecendo a importância destes setores como estratégicos para a temporada artística. Desta forma, a delimitação das funções, dos cargos e salários dos integrantes destes setores serão determinados e protegidos pela instituição que integram;
• Que cada arquivo com um grupo musical tenha ao menos dois funcionários com diferença hierárquica entre eles, garantindo a tomada de decisão e o atendimento constante a todas as necessidades da instituição que estejam delimitadas como funções do arquivo musical;
• A disponibilização de espaço físico adequado para a saúde do acervo e dos funcionários, assim como equipamentos e recursos básicos para a execução das atividades, como computador, impressora com scanner, folhas sulfite e fitas adesivas de boa qualidade, pastas para acondicionamento das partituras que serão utilizadas durante os ensaios e concertos, e no acervo após a utilização;
• Que os arquivos musicais tenham suas políticas de acervo registradas, com os procedimentos detalhados para garantir a qualidade, padronização e perpetuidade das tarefas executadas;
• A criação de ambientes para aprendizagem do ofício, como encontros, cursos livres e específicos, incentivando as instituições a promover os espaços para que estas aprendizagens aconteçam e que fortaleçam junto de suas equipes a importância destes aprendizados.
Essas reivindicações resultam da construção coletiva promovida durante o Encontro de Arquivistas Musicais – 2ª edição, realizado em outubro de 2026, em Belo Horizonte (MG), e expressam o compromisso das pessoas envolvidas com a valorização dos acervos musicais e o reconhecimento de sua importância para a memória e o patrimônio cultural brasileiro, no contexto das orquestras sinfônicas.