Neste ano de 2014, virão à tona as grandes contradições do modelo de desenvolvimento que priorizou os mega-empreendimentos, os mega-eventos e as mega-empreiteiras. Os bilhões de reais desviados na construção dos estádios para a Copa do Mundo e as Olimpíadas estão fazendo falta para atender a demanda por transporte público de qualidade, saúde, educação e outras necessidades essenciais do povo brasileiro.
Esse modelo de desenvolvimento significou o aumento da concentração de riquezas e das desigualdades sociais. As comunidades tradicionais e a população pobre foram as maiores vítimas desde os Jurunas, Xipaya, Arara, e Kayapó do rio Xingu até os pescadores artesanais da Baía de Guanabara assassinados recentemente.
No Rio de Janeiro, a guerra aos pobres foi a marca da política desse Estado repressor. Vila Autódromo, Aldeia Maracanã, Metrô Mangueira, Arroio Pavuna, Vila das Torres, Restinga, Vila da Amoedo, Horto, Vila da Estradinha, Largo do Tanque, Vila das Torres, Morro da Providência são faces da cidade partida pelos negócios. O modelo de desenvolvimento implementado com fomento da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro – CODIN, gerou enormes impactos e injustiças socioambientais em Porto do Açu, com a construção dos mega estaleiros, da Usina Nuclear de Angra e das obras do COMPERJ que afetaram a população e os trabalhadores do leste metropolitano. Aumentou a pressão sobre o Rio Paraíba do Sul, o Arco Metropolitano e, assim, sobre as comunidades quilombolas do Estado e populações tradicionais, como os caiçaras do sul do Estado e as centenas de agricultores de Cachoeiras de Macacu que serão expulsos pela barragem do rio Guapiaçu, construída pela Petrobrás.
O racismo socioambiental torna-se cada vez mais a política oficial e expulsa para o gueto da discriminação a maioria da população negra. A poeira da TKCSA em Santa Cruz é mais um símbolo da poluição política jogada sobre o nosso povo. A paz dos governos é a paz sem voz, é a paz do medo onde a violência é a única política pública ofertada aos pobres e desabrigados do terreno apropriado pelo Oi/TELERJ. Contudo, esse processo de elitização da cidade começa a encontrar resistências. As ruas de junho foram tomadas pelos jovens, trabalhadores, índios, movimento LGBTTs, quilombolas e outros rebeldes. Surgem novos quilombos como sujeitos dos gritos de liberdade que lembram a todos que esse mundo do dinheiro é insustentável e incompatível com a preservação do planeta.
Nesse cenário, apresentamos a pré-candidatura ao Senado do vereador Renatão do Quilombo (PSOL) com o desejo que o mesmo tinja a chapa majoritária com todas essas novas cores que brotaram nas jornadas de junho. Renatão do Quilombo é remanescente de quilombo e exerce importante liderança na Comunidade do Quilombo do Grotão, localizado na Serra da Tiririca. Sua família vive há quase um século no local. Fundador da Associação dos Sitiantes Tradicionais da Serra da Tiririca (ASSET), participante do Fórum das Comunidades Tradicionais, Renatão do Quilombo é reconhecido pela defesa do Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET), do Meio Ambiente e dos direitos das comunidades locais.
Liderança do Quilombo do Grotão, Renatão ajudou a resgatar costumes e tradições da região como a Roda de Capoeira, o Jongo, as rodas de Samba de Raiz, a culinária africana e a religiosidade de matriz afro-brasileira que ressurgiram na comunidade. Neste mês de abril, nova vitória foi obtida pela ACOTEM. O Projeto Quilombo Solar, através de campanha de financiamento coletivo pelas redes sociais, arrecadou mais de R$ 10.000,00. Os 102 doadores ajudaram a instalar o primeiro micro-gerador de energia solar em comunidade tradicional do Brasil.
A luta pela democratização da produção de energia é fundamental nesse momento no qual o modelo das mega-hidrelétricas, como Belo Monte, demonstrou sua falência com a falta de chuvas e o aumento das tarifas de energia elétrica para os consumidores. Essa matriz energética, além de gerar enormes impactos socioambientais, somente enriquece as grandes empreiteiras e as distribuidoras privadas de energia. O curto mandato do Renatão do Quilombo foi marcado por iniciativas de combate ao racismo e pelo estímulo as políticas públicas de sustentabilidade socioambiental como respectivamente o projeto que pune os estabelecimentos comerciais com condutas racistas e o que cria o Fundo Municipal de Energia Alternativa.
Por todos esses motivos e muitos outros apresentamos a pré-candidatura do Renatão do Quilombo ao Senado Federal pelo Partido Socialismo e Liberdade como um nome que contribua para a construção de uma Frente de Esquerda capaz de aglutinar, além do PSTU e do PCB, movimentos sociais e populares capazes de apresentar uma alternativa de mudanças tão esperada.
Carlos Walter - Professor UFF
Celso Sanches – Professor UNIRIO
Frederico Loureiro Professor UFRJ
Mônica Armond Serrão – Funcionária do IBAMA
Paulo Eduardo Gomes - vereador PSOL Niterói
Renatinho - Vereador PSOL Niterói
Ronaldo Lobão – Professor UFF
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