Abaixo Assinado em Prol da Professora Fátima Silva
Para: Diretor da Fundação das Artes de SCSUL, Sr. Vagner Perton
Solicitamos a atenção do Sr. Diretor Wagner Perton para o assunto que passamos a expor: estamos ciente sobre certas reclamações sobre o trabalho de uma professora da escola e queremos nos manifestar a respeito, uma vez que não concordamos com tais afirmações e somos/ fizemos parte, há muitos anos, do Grupo de Dança da Fundação das Artes. Em primazia, houve uma reunião na qual nem todos os alunos atuais foram convidados, sendo que o nosso ponto de vista é muito diferente do que foi exposto e temos o direito de sermos ouvidos, assim como tais reclamações também foram acolhidas.
• Sobre a história do Grupo de Dança da Fundação das Artes:
O trabalho nos grupos de dança coordenados pela professora Fatima Silva tem um histórico exemplar, acumulando diversos prêmios em festivais renomados pelo país e propiciando grande reconhecimento para a escola. Há algum tempo, percebemos uma dificuldade cada vez maior em relação a manter os grupos na escola. Em 2008, ano em que o grupo estava em ótima fase, pois acabara de retornar do Festival de Dança de Joinville com o 3º lugar, as alunas foram submetidas à uma prova para que continuassem nos grupos. A escola fez uma banca de professoras avaliadoras e muitas alunas foram retiradas do grupo de dança por “não estarem no alto nível”. A partir desse corte de alunas, todo trabalho dos grupos foi altamente prejudicado, uma vez que a quantidade de alunas é muito importante para a montagem de ballets de repertório – o forte em premiações da Fundação. Conclusão: muitas alunas se sentiram excluídas, algumas inclusive saíram da escola. Tal atitude não foi benéfica nem para os grupos e muito menos para a escola.
Antigamente, tínhamos um tempo maior para ensaios, de modo que era possível a realização de aulas e alongamentos antes do mesmo. Com o tempo reduzido e a impossibilidade de realizar qualquer outra atividade além do ensaio, houve uma queda de rendimento das alunas, obviamente. Além disso, havia ensaios aos sábados e aos domingos para melhorar os trabalhos, muitas vezes acompanhados de coreógrafos renomados no cenário da dança brasileira. As alunas além de melhorarem tecnicamente, levavam consigo uma bagagem muito grande de aprendizado.
Nos festivais, é comum que as escolas levem muito público e muitos professores para apoiarem, torcerem e ajudarem quando necessário. Por vezes nós, alunas, ficamos o dia inteiro no mesmo lugar, “alojadas” num banco ou num canto qualquer do teatro. Outras vezes, alunos já dormiram em um aeroporto em Minas Gerais para economizar com a estadia, ficaram sob chuva em Santos ou se maquiando no gramado de Indaiatuba. Tudo isso para mostrar que, já passamos muitas dificuldades para representar o nome da nossa escola. Poucas vezes alguma outra professora acompanhou a professora Fátima. Antigamente, eram as mães que acompanhavam suas filhas e auxiliavam nos trabalhos, já hoje em dia as mães não se envolvem mais, de modo que não possuem nenhuma noção do que é um trabalho de dança clássica fora da escola.
Sempre, mas principalmente nos últimos tempos, sentimos falta por parte da escola de dança de algum prestígio e de apoio por parte das professoras e da coordenação, deixando a professora Fatima sempre sozinha. É muito importante ressaltar, portanto, a ajuda do professor Daniel que muitas vezes acompanhou os grupos e esteve presente em momentos importantes, sempre colaborando quando preciso.
A filmagem dos trabalhos para o Festival de Joinville neste ano, que resultou na aprovação do ballet Paquita, foi feita por ele para que ninguém tivesse gastos. A criação do ballet Lamento de La Ninfa, também feita pelo professor Daniel juntamente com uma aluna formada pela escola, resultou não só em premiações, como também num grande aprendizado de musicalidade para as alunas. Em todos os momentos o professor usou de sua boa vontade e de sua generosidade para auxiliar o grupo de dança que estava cada vez mais sendo esquecido. Se estamos falando de uma Fundação das Artes, ou seja, uma escola de artes, não há porque enxergamos problema em um professor da escola que se disponibilizou a ajudar no crescimento do grupo. Pelo contrário, víamos talvez a possibilidade da intersecção entre as escolas de música, dança, artes visuais e teatro.
Depois que houve tal prova em 2008, a professora Fátima tentou manter o trabalho com as alunas que ficaram e aos poucos foi tentando reerguer o grupo buscando meninas novas na fundação com finalidade de melhorar resultados com os grupos. No início a fundação só teve resultado com trabalhos com poucos integrantes, ou seja, solos, duos e trios, tendo recentemente voltado a montar alguns trabalhos maiores, sempre com a dificuldade de conseguir quantidade suficiente de alunos. A Fundação que sempre esteve presente no Festival de Joinville, só conseguiu aprovação após três anos (2011) com o trabalho Dom Quixote. O trabalho selecionado nesse ano (2014) conta com a presença de alunas de dois grupos (adulto e juvenil) para poder atingir um mínimo de bailarinos. Novamente é notável que o corte realizado em 2008 só prejudicou o Grupo de Dança. Por falta de alunos passamos a ter outra rotina de trabalho. A partir de 2011 os alunos que passaram pelos grupos não tiveram mais a oportunidade de trabalhar com coreógrafos de renome, pois nunca mais os grupos puderam contar com o apoio da escola nesse sentido.
• O Papel da Bailarina na Dança Clássica
Um ponto importante a se destacar é sobre a disciplina na dança. Em qualquer instituição de ballet clássico, a disciplina é ensinada desde as primeiras aulas sendo crucial para a formação de uma bailarina. Enquanto antigamente éramos altamente cobradas por todas as professoras, o que vemos pelos corredores e pelas salas de aula da Fundação é um total descaso das alunas, que não se preocupam em estar uniformizadas e com um coque minimamente bem feito. Em relação a isso, a professora Fátima vem apenas cobrando desde o ano passado, quando a situação estava exagerada, o mínimo de postura das alunas dentro de uma escola de ballet e de uma sala de aula. Qualquer um que andar pela escola pode ver a falta de modos de algumas bailarinas, sem um mínimo de respeito entre elas próprias. Antigamente as professoras tinham a liberdade de alertar os alunos e pais que cuidassem do físico e, todas as professoras, sem exceção, nos ajudavam com isso. Nenhuma aluna ficava ofendida, pois é óbvio que para um trabalho como o ballet clássico esse cuidado é necessário, tanto que a escola chegou uma época a contratar uma nutricionista que orientava as suas alunas.
É normal a vontade de qualquer bailarina em estar no papel de solista em um ballet. Algumas de nós não tivemos essa oportunidade, mesmo depois de anos de grupo. Mas estamos falando de um grupo e como o próprio nome diz: um conjunto de bailarinas, que devem pensar não só em ter mais destaque em uma coreografia, pelo contrário, deveriam prezar pelo bem do grupo e entender que algumas alunas possuem mais técnica, maturidade e se encaixam melhor no papel do que outras e essas contribuem para um bom resultado final de trabalho. Nos últimos tempos, temos visto alunas atribuindo culpa a professora, atacando-a e até mesmo criticando as próprias alunas que estão num papel de solista, como se possuíssem mais entendimento do que a própria profissional que conduz o trabalho na escola. As alunas não acatam e nem respeitam a professora sem ao menos procurarem se esforçar mais para melhorar o seu desempenho e possivelmente ter condições de estarem em papéis solos. Apesar de tudo isso, a professora Fátima sempre se esforçou para dar espaço para todas as bailarinas, criando diversas coreografias como duos e trios para as alunas que não tinham papel de destaque nas coreografias que envolviam o grupo todo.
Do ponto de vista financeiro, na dança é necessário ter consciência de que há investimentos imprescindíveis para um bom trabalho, incluindo gastos com figurinos, sapatilhas, maquiagem e outras variáveis que, se não forem bem selecionadas, podem atrapalhar no resultado final dos trabalhos. Os alunos dos grupos atualmente são bolsistas, o que é uma facilidade que nem todas nós tivemos, e isso serve como estímulo e ajuda para atenuar os gastos. De fato, parece que algumas alunas não enxergam esse benefício e ainda assim reclamam de gastos que não são desnecessários, pelo contrário, são imprescindíveis.
• Considerações Finais
-Em anos de Grupo de Dança, nunca vimos a professora Fátima faltar a um ensaio, se ausentar indevidamente da sala de aula ou não ter postura ética e profissional;
-Algumas aulas estão sendo dadas por alunas formadas (ou estagiárias), queremos uma análise dessas situações irregulares;
- Na última reunião para decidir sobre o Festival Joinville, a escola disse que precisaria investir em um novo uniforme. Sobre esse assunto queremos colocar que na última vez que foi feito um uniforme, o mesmo foi pouco usado, e ele poderia ser reaproveitado, já que muitas alunas ainda o possuem. Não é entendível o porquê desse tipo de gasto, se podemos minimizá-lo;
-A arrecadação de dinheiro para os alunos deveria ocorrer de forma igual, pois muitos sofrem com problemas financeiros e esta não ocorre;
-Merecemos também sermos ouvidos, já que por tantos anos estamos inseridos no Grupo de Dança. Queremos uma posição da escola sobre as queixas que levantamos;
-Não aceitamos qualquer tipo de injustiça em relação ao trabalho da professora Fátima Silva.
Contamos com a sua compreensão e discernimento para a resolução dessas situações.