REVOGAÇÃO DOS TÍTULOS DOUTOR HONORIS CAUSA DO MARECHAL CASTELLO BANCO E GENERAL GARRASTAZU MÉDICI
Para: Conselho Universitário da UFRN
VOCÊ SABIA QUE NA LISTA DE PERSONALIDADES HONRÁVEIS DA UFRN (DOUTORES HONORIS CAUSA) HÁ DOIS PRESIDENTES DA DITADURA MILITAR?
O MARECHAL CASTELLO BRANCO e o GENERAL EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI comandaram um dos períodos mais sangrentos e violentos da vida nacional, marcado por violações de direitos humanos, assassinatos de opositores, sequestros, torturas, desaparecimentos forçados e genocídio de grupamentos indígenas. Neste período a UFRN foi diversas vezes invadida por tropas do Exército, as entidades estudantis foram extintas, houve a cassação de mandatos estudantis, instauração de Inquéritos Policiais Militares que investigavam “atividades subversivas e atentatórias a moral empreendidas na UFRN”, professores e estudantes foram presos, além dos que foram mortos como EMANUEL BEZERRA, SILTON PINHEIRO e LUIZ MARANHÃO, por fim com a implantação de um organismo de repressão, no campus, a Assessoria de Segurança e Informações (ASI-UFRN), que durante seus 20 anos de atuação, provocaria pânico na comunidade, interferindo na produção cientifica, no expurgo de pessoal docente, mapeamento “oficioso” das comunicações universitárias, dentre outras mazelas.
NÃO PODEMOS TOLERAR QUE HOMENAGENS COMO ESSAS PERMANEÇAM! FORAM DADAS NO PASSADO, MAS SUA SIMBOLÓGIA E EFEITOS SE PERPETUAM NO PRESENTE! Como colocar num mesmo panteão de doutores pessoas com notável saber, cultura, e espirito democrático como o escritor Ariano Suassuna e Gilberto Freyre com ditadores-tiranos? Será que podemos permitir que ditadores, possam continuar como baluartes máximos da instituição, em que olhemos e admiremos o seu trabalho em prol da academia e da sociedade e sua história de vida? Aos que prezam pelas liberdades democráticas, pelo irrestrito debate político, filosófico e ideológico, a livre produção cultural, cientifica e artística e a promoção dos direitos humanos, é ultrajante reconhecer que dirigentes do regime discricionário de 1964 – cuja trajetória pública representa a negação de todos estes valores – continuem dignificados pela UFRN.
Posto isto, os signatários, da comunidade acadêmica e sociedade em geral, manifestam desejo de que o Conselho Universitário da UFRN – pela relevância e significado público do assunto – coloque na sua pauta de discussão a revogação dos títulos acadêmicos dados aos dois ditadores, pelo erro histórico da concessão, a sujeitos que não possuíram qualquer mérito político, educacional, cultural ou humano para merecê-lo. Que com esse ato seja reconhecido que a atuação deles no comando do país não justificou e não justifica a concessão e manutenção das homenagens.