Em defesa da Universidade pública - S.O.S. USP
Para: Professores Universitários Nacionais e Internacionais e Doutorandos
Divulguem amplamente. Temos versões do abaixo assinado em inglês, francês, italiano, espanhol e alemão]
Em 27 de maio deste ano iniciou-se na Universidade de São Paulo (USP) uma greve de docentes e funcionários técnico-administrativos em virtude da não reposição salarial diante de uma inflação anual de aproximadamente 7%. Docentes e funcionários reivindicavam também a abertura das contas da instituição. Isso se deveu sobretudo a grave desequilíbrio financeiro anunciado pela reitoria.
Após essa data a reitoria passou a anunciar, com entrevistas concedidas à imprensa, planos que apontam claramente para o desmonte da universidade: redução do número de docentes que trabalham em regime de dedicação exclusiva ao ensino e à pesquisa e um plano de demissão voluntária de dois mil e oitocentos funcionários técnico-administrativos, neste caso sem nenhum critério que não o de sua faixa etária, atingindo justamente aqueles com mais tempo de serviço e experiência. As contratações de docentes em função das aposentadorias estão suspensas. Além disso, está promovendo corte de bolsas estudantis e de verbas para a pesquisa e para a veiculação de seus resultados. Alguns centros de pesquisa tiveram sua atividade prejudicada ou mesmo interrompida e a cooperação internacional em muitos casos cessou.
Para se ter uma ideia da gravidade da situação, dois importantes hospitais universitários, vinculados ao ensino e à pesquisa, estão com sua atividade seriamente ameaçada. A reitoria propõe seu desligamento da universidade, sem nenhum embasamento nem justificativa academicamente razoável.
Outras atitudes da reitoria, como a punição de grevistas e a recusa a dialogar com a comunidade universitária, bem como com parlamentares representando diversos partidos , estão ocasionando uma crise administrativa e política sem precedentes. Os docentes estão muito apreensivos em relação ao futuro da pesquisa e de suas carreiras, e manifestam também grande preocupação pela forma como a reitoria vem reprimindo o movimento dos trabalhadores da USP.
Nesse momento grave, solidarizamo-nos com os docentes, funcionários e estudantes da USP em luta para impedir o desmanche da universidade de maior projeção científica do país: