Nota de repudio contra a violência praticada pela Profa. Dra Fraya Frehse
Para: A CCP do Programa de Pós Graduação em Sociologia USP/ Departamento de Sociologia/USP
NOTA DE REPÚDIO
Diante do acontecido no último dia 6 de novembro, na aula e no intervalo da disciplina Métodos II (Noturno), do curso de graduação em Ciências Sociais, ministrado pela Profª Fraya Frehse, gostaríamos de manifestar nosso repúdio ante o caso descrito a seguir.
Trata-se do ocorrido com a pós-graduanda Danielle, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS), que estava realizando seu estágio em docência junto à mencionada professora, além de ser sua orientanda de mestrado há quase dois anos. O estopim, nesta ocasião, foi um atraso sem má fé da estagiária, pois o horário da aula havia sido alterado, o que levou a professora, diante de todos os estudantes presentes em sala, a afirmar que Danielle não possuía “a mínima moral com os alunos”.
No intervalo, Danielle questionou a professora em relação à maneira como ela a repreendeu diante de todos os alunos. Com isso, a professora pediu que ela se desligasse do programa. Depois de tal constrangimento e humilhação, a aluna saiu da sala e foi caminhando pelo corredor do Prédio de Ciências Sociais e Filosofia da FFLCH em direção ao estacionamento. Iniciou-se aí um momento de muita tensão, a professora perseguiu a aluna, correndo e gritando, exigindo que ela retornasse. Isto é, o fato deslocou-se para um ambiente muito mais público ultrapassando os limites da sala de aula.
Consideramos a reação da professora Fraya, que perseguiu a aluna aos gritos, totalmente excessiva e despropositada. Foi tal a dimensão do acontecido que os alunos e professores que assistiam aulas nas salas localizadas na direção oposta ao estacionamento tiveram de fechar as janelas para não ouvir os gritos da professora.
O fato foi tão grave que quando a referida docente voltou para a sala de aula, muitos alunos em solidariedade ao que Danielle havia sofrido naquele momento, afirmaram poder testemunhar a favor dela, dizendo que o ocorrido era um absurdo, pois fora uma agressão pública sem qualquer justificativa.
Entendemos que esse quadro é extremamente grave e é mais um dos casos envolvendo a citada professora que já possui um histórico considerável de relações conflituosas para com seus alunos e ex-orientandos de Iniciação Científica. Isto é, há tempos, alguns alunos, orientandos e ex-orientandos vêm enfrentando situações de tensão, de medo e de intimidação devido a postura autoritária que ela estabelece com os alunos, se configurando numa conduta que soa como abuso de poder. Vários deles, no entanto, por medo de receber retaliações, não têm denunciado os abusos cometidos por ela.
Dessa forma, repudiamos a postura autoritária e as intimidações públicas protagonizadas pela professora neste episódio, ultrapassando os limites da conduta esperada de uma socióloga e docente de qualquer instituição de ensino.
Chamamos atenção nesta nota também para a situação de outros alunos de graduação e de pós-graduação da Universidade que passam por casos semelhantes ao relatado acima, entendendo que isso é extremamente prejudicial para a condição de aprendizado, para a produção acadêmica e repercute diretamente na estrutura emocional do aluno afetando a realização de qualquer trabalho intelectual, do qual a Universidade deveria ser espaço privilegiado.
Dado que o caso relatado foi protagonizado por uma professora do Departamento de Sociologia, na ocasião de uma disciplina oferecida por esse mesmo departamento e se estendeu às imediações do prédio de Filosofia e Ciências Sociais, pedimos ao Departamento de Sociologia e ao PPGS um posicionamento público ante o acontecido. Além disso pedimos que, na próxima ocasião de recredenciamento da professora ao PPGS como orientadora de mestrado e de doutorado, tal fato seja levado em consideração, no sentido de evitar que mais pessoas sejam submetidas à mesma situação.