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CPI da Lata de Tinta da cidade de São Paulo

Para: Exmo Srs Vereadores da cidade de São Paulo e Ministério Público de São Paulo

Após diversas noticiais de denuncias sobre os custos astronômicos do km das ciclofaixas de São Paulo, da total falta de planejamento na implantação e do estado lamentável de que já se encontram a maioria das ciclofaixas é que peço o apoio para instauração de uma CPI na Camara Municipal de São Paulo e também abertura de investigação por parte do Ministério Público.

Faltam evidências, consultem:
Projeto de expansão das ciclovias custa mais que o triplo do previsto
Fonte: Veja São Paulo - 06/02/2015 às 23:00 - Atualizado em 08/02/2015 às 12:29
http://vejasp.abril.com.br/materia/ciclovias-projeto-custa-mais-que-o-triplo-prefeitura




Opinião que compartilho: Blog Felipe Machado

Ciclofaixas: Questões que eu gostaria de perguntar ao prefeito Haddad

Há muita discussão sobre as ciclofaixas na cidade de São Paulo. Como tudo na vida política do país nos últimos anos, a questão virou um Fla-Flu. Quem é a favor não aceita a opinião de quem é contra, da mesma maneira que quem é contra não dá ouvidos aos argumentos do outro lado.

Minha opinião é clara: sou totalmente contra as ciclofaixas. E sou totalmente a favor de ciclovias. Sim, as duas coisas são bem diferentes. Coloco, de maneira democrática, a minha opinião. Não sei se é correta ou não, mas é minha opinião. Gostaria de ouvir as opiniões contrárias, sem problema algum.

Ciclovias são vias exclusivas criadas a partir de um planejamento urbano como opção de transporte urbano para serem usadas pelos ciclistas. São vias específicas, separadas das ruas onde trafegam carros e oferecem segurança - principalmente para os próprios ciclistas. Custam mais do que as ciclofaixas, obviamente, porque exigem mais planejamento e investimento na adaptação desses espaços urbanos para as bicicletas. Ciclovias existem cada vez mais em todas as metrópoles do mundo, pois são uma opção a mais de transporte.

Ciclofaixas são opções simplistas e preguiçosas para vender a ideia de um governo que está beneficiando os ciclistas. É isso que o prefeito Fernando Haddad está fazendo em São Paulo: confundindo os cidadãos. Afinal, há uma grande diferença entre criar ciclovias e pintar as ruas de vermelho.

Tenho algumas perguntas para o prefeito ou para algum representante da área de Transportes da Prefeitura.

Gostaria de saber se, ao anunciar a criação de 400 km de ciclofaixas, o prefeito Haddad pensou nas milhares de vagas de estacionamento que extinguiria numa cidade que já sofre com esse problema? Sim, porque não é muito inteligente acabar com vagas na rua e investir milhões em estacionamentos subterrâneos, como se discute há anos. E será que é honesto acabar com essas vagas e perder o dinheiro que a cidade ganharia com Zona Azul, por exemplo?

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou nos 400 km de vias com comércio de rua que ele prejudicou, ao impedir que os carros circulassem por ali? Sim, porque milhares de paulistanos que têm lojinhas de rua perderão parte importante de seus clientes, já que os carros não poderiam circular em frente às suas lojas, perdendo a exposição espontânea que as lojas têm e os estacionamentos permitem.

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou na desvalorização de 400 km de moradias, que ficam em frente a essas faixas vermelhas onde carros não podem mais circular nem parar? Sim, porque muita gente estaciona o próprio carro na frente de casa porque não tem garagem. Ou estacionava, no caso.

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou no prejuízo na economia da cidade, que vai perder milhões com o crescimento dos congestionamentos? Sim, porque São Paulo perdeu R$ 40 bilhões em 2012, 1% do PIB brasileiro, de acordo com estudo da FGV. Se perdia isso em 2012, imagina depois dos 400 km de ciclofaixas.

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou realmente na cidade ou apenas no marketing ao pintar a cidade de vermelho e atrapalhar a vida de milhares de pessoas para beneficiar algumas centenas de ciclistas? Quantos ciclistas há em São Paulo? O mais correto não seria criar ciclofaixas para atender uma demanda dos ciclistas do que criar ciclofaixas para ver se surgem ciclistas para usarem as ciclofaixas? Falta transparência. Quero saber o que o prefeito considera transporte de elite. Sabemos que a cidade tem 7 milhões de carros... quantas pessoas usam regularmente as bicicletas? Como foram escolhidas as vias onde foram criadas ciclofaixas? E não estamos falando de lazer, claro.

De acordo com o site da Prefeitura, o número de viagens diárias no trânsito em 2012 foi o seguinte:

ÔNIBUS transportou 9.383.283 pessoas
TRANSPORTE FRETADO transportou 389.427 pessoas
TRANSPORTE ESCOLAR transportou 2.011.132 pessoas
DIRIGINDO AUTOMÓVEL - 8.644.290 motoristas
PASSAGEIRO DE AUTOMÓVEL - 3.706.649 passageiros (caronas)
TÁXI transportou 135.156 pessoas
METRÔ transportou 3.218.989 pessoas
TREM transportou 1.141.140 pessoas
MOTO transportou 1.038.960 pessoas
BICICLETA transportou 267.788 pessoas
A PÉ 13.708.189 pessoas
OUTROS 70.463

TOTAL 43.715.466

Vamos pensar um pouquinho, já que a equipe do prefeito não fez isso. Haddad gosta muito de falar das faixas exclusivas de ônibus, que são mais democráticas que os carros, etc. Basta ver o número acima para ver que isso não é verdade. Pouco mais de 9 milhões de pessoas andaram de ônibus em 2012. Se juntar carros (motoristas + passageiros), transporte escolar (que não podem andar nas faixas para ônibus), transporte fretado (que não podem andar nas faixas de ônibus), dá quase 15 milhões de pessoas transportadas. Sabe quantas viagens diárias de bicicleta em 2012? 267.788. Se o prefeito Hadddad quisesse realmente ser democrático, ele pegaria todo o investimento previsto para as ciclofaixas até 2015 (R$ 80 milhões) e reformaria as calçadas da cidade - já que 13.708.189 andam a pé todos os dias. De qualquer maneira, a faixa de ônibus (isso, sim, um benefício para o transporte público - embora feito sem o planejamento adequado) é tema para outra conversa.

Gostaria de saber se o prefeito Haddad realmente já pensou que a bicicleta talvez não seja o meio de transporte adequado para São Paulo, uma cidade de proporções gigantescas, desnivelada e com alto índice de profissionais que não podem chegar suados ao serviço?

Gostaria de saber se o prefeito Haddad já pensou que que a maioria das ciclofaixas ligam nada a lugar nenhum? Sim, porque as ciclofaixas começam no nada e terminam no lugar nenhum. Ou seja, os ciclistas chegam por vias sem ciclofaixas até as ciclofaixas e, daí, continuam seus caminhos por vias sem ciclofaixas, o que prova que não há planejamento algum. Como é que os ciclistas vão chegar nas ciclofaixas? Voando? Sim, porque eles terão que pedalar por vias sem ciclofaixas, expostos a todos os perigos do trânsito normal até chegar nas faixas vermelhas, onde estarão, teoricamente, em segurança. E na hora de sair delas?

Gostaria de saber se o prefeito Haddad pensou como vai crescer o número de acidentes e atropelamentos? E será que ele se esqueceu de lançar junto com as ciclofaixas uma legislação que dê direitos, mas que também dê deveres aos ciclistas? Por que os carros serão multados se entrarem nas ciclofaixas, mas os ciclistas não serão multados se pedalarem fora das ciclofaixas? Quem vai fiscalizar o uso de capacetes e outros itens de segurança? As bicicletas terão placas, como os outros veículos que estão no trânsito? Haverá bici-escolas, para ensinar as pessoas a pedalar com segurança? Há tantas, mas tantas questões que não foram previstas, que só reforça a ideia de que tudo isso foi feito, com o perdão do trocadilho, nas coxas.

Gostaria de saber, para terminar, se o prefeito Haddad pensou em discutir esses 400 km de ciclofaixas com a sociedade antes de criar de maneira autoritária essa medida que vai influenciar a vida de tantos moradores da cidade?

Para terminar, gostaria de saber quando o prefeito Haddad e o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, vão começar a ir trabalhar de bicicleta.

Fonte: http://entretenimento.r7.com/blogs/palavra-de-homem/ciclofaixas-questoes-que-eu-gostaria-de-perguntar-ao-prefeito-haddad-20140911/

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Esta petição foi criada em 10 fevereiro 2015
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