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Pela limpeza, preservação e recuperação dos "Arcos do Jânio"

Para: Prefeitura da Cidade de São Paulo - Câmara Municipal de São Paulo

Aos Senhores

Fernando Haddad, Prefeito da Cidade de São Paulo e ex-ministro da Educação

Nádia Somekh Diretora do Departamento do Patrimônio Histórico e Presidente do Conpresp

Nabil Bonduki Secretario Municipal de Cultura

Vereadores da Cidade de São Paulo

Indignados com a falta de respeito do Sr. Prefeito Fernando Haddad, bem como de seus Secretários, a sociedade paulistana exige a remoção dos grafites deste Patrimônio Histórico intitulado "Arcos do Jânio", à bem da educação e da memória paulistana. e sua pronta recuperação.

Os Arcos dos Calabreses ou Arcos do Bixiga foram construídos entre 1885 e 1887, por artesãos imigrados da Calábria, com tijolos por eles mesmos fabricados. Esses 29 imponentes arcos foram descobertos na gestão do prefeito Jânio Quadros, eleito em 1985. Edificados para servirem de muro de contenção da Rua da Assembléia com a Rua Jandaia, eles haviam desaparecido, soterrados pelo casario, que com o correr dos anos tomou conta da área.

Com a demolição dos cortiços, ante a necessidade de alças viárias no acesso da Radial Leste quando não havia a Avenida 23 de Maio, os arcos ressurgiram e foram restaurados e inaugurados, em 1988, pelo prefeito Jânio, com uma placa comemorativa que homenageia seus construtores.

O prefeito Fernando Haddad (PT) autorizou e incentivou uma intervenção artística no local conhecido como Arcos do Jânio, sob o viaduto da rua Jandaia, no centro da capital paulista. O local – patrimônio histórico de quase cem anos - teve as paredes cobertas por grafites contratados pelo prefeito.

Os arcos são protegidos pelo patrimônio histórico municipal desde 2002 e precisam ser "integralmente preservados", segundo o conselho municipal de preservação (Conpresp). O próprio órgão, porém, autorizou os desenhos nas partes internas do patrimônio.

O sempre atento arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Reproduzo abaixo, na íntegra, a mensagem. Para pensarmos juntos:

“Uma desagradável surpresa foi reservada aos paulistas ao transitar pela Avenida 23 de Maio e deparar com pinturas cobrindo os vãos dos arcos conhecidos popularmente como ‘Arcos do Jânio’.

Tal denominação decorre do bom senso daquele prefeito em mandar remover algumas residências que impediam a visão dos arcos. Foi um presente à paisagem urbana. Esses arcos são testemunho da arte da construção em tijolo, característico de um momento da história das construções da cidade.

Em certa época, todas as construções eram executadas na sólida técnica de taipa de pilão, onde os paulistas eram insuperáveis. Um viajante chegou a declarar ‘São Paulo é uma cidade de barro’. Restam, dessa época, poucas edificações, a exemplo das casas bandeiristas.

À era da taipa de pilão, sucedeu a das construções em tijolo, das quais subsistem projetos devidos a notáveis arquitetos cujas obras beneficiaram-se da presença de imigrantes estrangeiros a exemplo dos ‘capomastri’.

Os arcos em questão são autênticos documentos da técnica de tijolo por sua requintada execução. Agora somos surpreendidos com uma desastrosa intervenção.

Algumas questões se colocam:
1. Tratando-se de obra pública, a população foi consultada?
2. Tratando-se de ‘arte plástica’, em espaço público, houve concurso para escolha do projeto?
3. A qualquer cidadão que tenha eleito a pintura como sua ocupação, cabe a prerrogativa de escolher livremente o local para exercer seu talento? Torna-se igualmente grave autoridades se arvorarem em críticos de arte, com tanta obra pública à espera de quem as execute.”

Arquitetos e urbanistas criticaram nesta segunda (2) a pintura de grafites no monumento. Leia:

“Os Arcos foram tombados porque têm que ser preservados”, diz a arquiteta Lucila Lacreta, do movimento Defenda São Paulo. “Grafite não pode ser feito em qualquer lugar.”

“É uma interferência sem relação com o monumento. É como fazer grafite no muro de uma catedral”, diz Lucio Gomes, arquiteto e ex-conselheiro do Conpresp.
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Esta petição foi criada em 13 fevereiro 2015
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