Contra a regulamentação e a profissionalização da Capoeira
Para: Ministério da Cultura, Ministério dos Esportes, Senado Federal, Câmara Federal, Ministério de Promoção da Igualdade Racial, IPHAN, Fundação Palmares, Ministério do Desenvolvimento Social
Nós abaixo assinado, somos contra qualquer profissionalização da capoeira que, consequentemente, modifique a maneira como a sua formação popular vem acontecendo, que desconsidere todos os seus aspectos culturais, bem como qualquer regulamentação que crie ou invista poderes a qualquer uma organização para fiscalização e regulamentação do trabalhador em capoeira e retire a autonomia dos Mestres em formarem seus discípulos. Dessa forma, não apoiamos o projeto de Lei da Câmara n 31 / 09, de autoria do Deputado Arnaldo Sá (PTB/SP), que dispõe sobre o reconhecimento da atividade da capoeira.
A prática da Capoeira se expressa através de várias manifestações. Reduzi-la a dança, competição e luta significa abreviar a potencialidade de inserção social desse fenômeno na nossa sociedade, caminhando contra a sua própria história, além de desconsiderar suas tradições.
A atividade principal do capoeirista é a transmissão do saber. Ou seja, o capoeirista é antes de tudo um educador popular, tornando-se com o tempo um mestre que será responsável pela manutenção e difusão do conhecimento. Mais uma vez, enquadrá-lo na lógica do esporte de alto rendimento, designando seu trabalhador como atleta profissional , é considerar a história do desenvolvimento e inserção social da capoeira na sociedade brasileira e no mundo.
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