Ao CRUZEIRO ESPORTE CLUBE
Em atenção ao Presidente Sr. Gilvan de Pinho Tavares
Com nossos cordiais cumprimentos, apresentamos este documento a vossa senhoria na tentativa de levar ao conhecimento e apresentar soluções aos problemas crônicos que a torcida cruzeirense encontra em jogos do clube no Mineirão.
Temos ciência de que a operação do Mineirão é de responsabilidade da concessionária Minas Arena. No entanto, nosso vínculo é de amor e consumo com a instituição Cruzeiro, que é quem possui o maior interesse no melhor desenvolvimento dos eventos, razão pela qual que se posicione quanto a problemas crônicos encontrados por todos nós.
Destacamos que o grupo que escreve este texto é formado basicamente por Sócios do Futebol, mas os problemas aqui descritos também são sofridos por outros torcedores que vão rotineiramente ao estádio.
Partindo do pressuposto que o interesse da instituição Cruzeiro seja se fortalecer, inclusive por meio do seu programa de sócios, vimos apresentar alguns pontos que desagradam aos frequentadores do Estádio, bem como possíveis soluções para os mesmos, e que podem influenciar diretamente em uma experiência prazerosa pelos seus torcedores que poderiam travar uma alavancagem ainda maior para o programa Sócio do Futebol.
Para explicitar os pontos em questão, vamos dividi-los nos seguintes pontos:
1) Estacionamento
1.1 – Interno: a demora para a abertura do estacionamento é responsável por congestionamentos absurdos em dias de jogos. Atualmente, o estacionamento interno tem os portões abertos três horas antes das partidas. A depender da demanda da partida, sugerimos que o espaço esteja disponível cinco horas antes, de modo a tornar a entrada mais ágil e menos desgastante;
1.2 – Entorno: já foi verificado em grandes shows internacionais, como o de Paul MacCartney, que o estacionamento do entorno do Mineirão é permitido. Nas partidas do Cruzeiro, contudo, a BHTrans proíbe que carros parem nas adjacências no Mineirão e até em parte da orla da Lagoa da Pampulha. Como o número de vagas no estacionamento interno é insuficiente, e ficou ainda menor após a reforma do estádio, fica a sugestão para que o Cruzeiro reivindique, formalmente, a liberação do estacionamento nas proximidades do estádio. Em públicos de shows musicais, a prática já se mostrou acertada e não causou prejuízo à segurança e ao escoamento do tráfego.
2) Segurança
2.1 – Flanelinhas: a presença de guardadores de carros é uma ameaça aos torcedores. Em dias de jogos, os cruzeirenses são extorquidos em até R$ 30 para estacionar os carros na rua. Tal prática é criminal. A sugestão é que o Cruzeiro solicite à Polícia Militar um policiamento ostensivo para coibir esse achaque.
2.2 – Transparência nas Informações: para evitar a transferência de responsabilidade, dentro dos princípios da boa governança, este grupo reforça a urgência de que os planos de trânsito e segurança sejam disponibilizados para consulta da torcida, podendo ser disponibilizado no próprio site do Cruzeiro ou no site do Sócio do Futebol.
2.3 – Estatuto do torcedor: a cruzada da atual diretoria contra criminosos infiltrados entre os torcedores é algo que constitui um exemplo para o futebol brasileiro. Reiteramos a importância de o Cruzeiro processar todos aqueles que cometam atos de vandalismo, formalizando acordo com as polícias mineira para que toda e qualquer pessoa que delinquir durante os jogos que o mando de campo for do Cruzeiro permaneçam em uma delegacia por ao menos 2 horas antes do jogo e 1 hora após o jogo.
3) Operacional
3.1 – Preços: é notório os preços abusivos praticados dentro do Mineirão. A cartelização do serviço, obrigando o torcedor a pagar R$ 5 em um copo de água ou R$ 8 em um picolé, por exemplo, mostra o quão extorsivo são os valores encontrados nos bares e lanchonetes do estádio. Como não há concorrência, reforçamos a necessidade de o Cruzeiro fiscalizar esse tópico. Destaque-se que o art. 28, §2º do Estatuto de Defesa do Torcedor proíbe esta prática;
3.2 – Acessos: os portões da esplanada do Mineirão configuram mais um problema grave para que os torcedores entrem no estádio. Para impedir filas desnecessárias, é fundamental que a Minas Arena aumente o número de acessos. A situação fica ainda mais penosa na saída, quando ambulantes formam verdadeiras barreiras para os cruzeirenses deixarem o estádio.
3.3 – “Churrasquinhos”: sabemos, evidentemente, das normas do Código de Posturas da cidade. Contudo, o impedimento dos “churrasquinhos” nas proximidades do Mineirão elimina a confraternização entre os torcedores, desconhecendo a importância da sociabilidade primária na vida da cidade. Por isso, pedimos que o Cruzeiro sensibilize a prefeitura, PM e outros responsáveis para que o “churrasquinho” possa ocorrer novamente.
Pedimos, dentro das possibilidades de agenda desta diretoria, uma resposta aos tópicos levantados acima, no prazo de 15 dias no email
[email protected].
Acreditamos que o momento é de valorização do Sócio do Futebol. De acordo com o site globoesporte.com (http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/publico-brasileirao.html) , o Cruzeiro tem apenas a 16ª taxa de ocupação de estádio como mandante no Brasileiro.
Considerando que o time é o atual campeão e líder da competição, enxergamos um potencial de crescimento da presença de cruzeirenses no Mineirão.
Centenas de torcedores optam pelo pay-per-view pelo fato de a “experiência Mineirão” ter deixado de ser algo prazeroso. Em vez de um lugar de alegria e de confraternização, a operação do estádio o transforma em uma verdadeira caixa de maldades e de achaques contra o torcedor. Acreditamos que é possível mudar isso e tornar o Cruzeiro líder de público no Brasil. Pedimos seu apoio na mobilização de Ministério Público, Assembléia Legislativa, Minas Arena, BHTrans, PM e outras entidades para que o Mineirão volte a ser, definitivamente, a nossa casa, um lugar onde somos felizes e tempos o prazer de estar.
Cordialmente,
Sociedade 5 Estrelas.
ps.: esta carta foi entregue na sede administrativa do Cruzeiro no dia 25/09/14, no entanto, não recebemos nenhuma resposta da diretoria.