O Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) de 2015 apresentou o seguinte dado: 37 mil escolas do campo fechadas entre os anos de 2000 a 2015. Somente no ano de 2014 foram fechadas 4.084 escolas, sendo 62 escolas do Estado do Rio de Janeiro. Os municípios alegam ausência de alunos e de verbas para a manutenção das escolas e com este argumento impediram, nestes quinze últimos anos, 83 mil alunos de todo o país, de terem uma educação voltada para a valorização da realidade do campo.
O fechamento de escolas do campo não é um fato isolado da política educacional. Este fato se relaciona também ao processo de desagriculturação que vem ocorrendo no estado do Rio de Janeiro. A economia fluminense está baseada num modelo econômico em que os empreendimentos industriais são mais importantes que o investimento nas áreas rurais voltadas para produção agrícola. Assim, escolas do campo são fechadas e escolas técnicas para a indústria são incentivadas, comunidades agrícolas são removidas para grandes projetos logísticos e de barragem, e comunidades tradicionais são sufocadas por uma leitura ambiental que separa o agricultor da sua natureza.
Desde o ano passado a comunidade do Distrito de Barra Alegre em Bom Jardim vem vivenciando o processo de fechamento gradativo da Escola Municipal Vieira Batista. A escola inicialmente aberta como um CEFFA, Centro Familiar de Formação por Alternância, teve o projeto pedagógico interrompido pela prefeitura, que não priorizou uma formação voltada para o campo. A tradição da Escola Família Agrícola no Brasil iniciou nos anos de 1960 e construiu a base para o reconhecimento do que hoje chamamos de Pedagogia da Alternância, ou seja, alternar e integrar os espaços e tempos na formação das crianças e jovens. No Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2014 as Escolas de Famílias Agrícolas obtiveram as melhores pontuações.
A Associação de Pais, Educadores e Parceiros da Escola Mz. Vieira Batista, a Associação de Moradores Produtores Rurais e Artesãos de Barra Alegre, o Sobrado Cultural Rural (Ponto de Cultura Rural), a Licenciatura de Educação do Campo da Rural e a Articulação Agroecológica do Estado do Rio de Janeiro, entendem que de acordo com a Lei maior da Educação, a escola do campo, tem suas características próprias que envolvem costumes, tradições e valores que diferem muito do contexto urbano. Fechar esta escola ou negar a matrícula modificará hábitos e costumes presentes na identidade cultural de nossa comunidade, por isso, além de acionarmos o Ministério Público, iniciamos uma Campanha em Defesa da Escola do Campo, realizando uma ocupação artística e cultural no espaço da Escola Vieira Batista.
Participe você também da Campanha em Defesa da Escola do Campo! Envie email para o Prefeito de Bom Jardim (
[email protected]) e para a Secretaria de Educação (
[email protected]) sinalizando a importância das escolas do campo e assine a petição pública em Defesa das Escolas do Campo (http://www.peticaopublica.com.br).