NOTA DE REPÚDIO AO PROCESSO CRIMINAL CONTRA RESIDENTE DA MORADIA ESTUDANTIL
O coordenador da Moradia Estudantil-UFF, Ubirajara Siqueira de Araújo abriu um processo criminal contra Sâmara Moura, estudante de enfermagem e residente da moradia pela mesma ter participado de uma intervenção político-artística. Ele alega ter sido vítima de INJÚRIA ao ser questionado por um cartaz com os dizeres: “PORQUE O NOVO COORDENADOR NÃO SE APRESENTA? PÕE A CARA NO SOL MONA", fixado na porta do ambulatório da moradia que é ocupado pelo coordenador como escritório. Ubirajara até o momento da intervenção não havia se apresentado aos residentes, mesmo estando há 6 meses oficialmente no cargo. O cartaz expressa a indignação coletiva perante a negligência dos gestores frente às inúmeras demandas pautadas pelos residentes. .
A queixa tem como foco o uso do termo "mona" que, segundo ele, tem por objetivo difamar sua imagem de homem e pai de família. É importante contextualizar que a expressão "põe a cara no sol mona" é popularmente utilizada pelo movimento LGBTT como forma de afirmação de sua orientação sexual e identidade de gênero. Para nós da moradia, que somos em maioria mulheres e LGBTTs, o uso desse termo não é motivo de ofensa e sim de orgulho, pois somos muitas monas! É importante ter um olhar crítico sobre a intenção do coordenador, quando tenta intimidar a estudante e de fundo, todo movimento da moradia estudantil!
Em meio a um cenário alarmante na educação, onde verbas são cortadas das universidades públicas, inclusive na UFF, nós da moradia vivemos em uma situação extremamente precária! Necessitamos das políticas de assistência estudantil de qualidade para permanecer na Federal. No entanto, a moradia apresenta diversos problemas de infraestrutura, abastecimento de água insuficiente, dificuldades no acesso à internet, comida e vivemos sob uma total falta de democracia! Esses problemas cotidianos são a nossa motivação para iniciativas como colagens de cartazes e manifestações que exponham nossas demandas; além das inúmeras reuniões e tentativas de diálogo com a coordenação, PROAES e Reitoria, que até agora não tiveram resposta.
A Assembleia Geral da Moradia Estudantil do dia 29 de Outubro, REPUDIA a atitude do atual coordenador Ubirajara de processar a estudante, bem como o conteúdo homofóbico apresentado em sua queixa, além do evidente abuso de poder em utilizar-se de seu cargo para intimidar o movimento e coibir nossos atos políticos. Chega de criminalização do movimento estudantil! NÓS BOTAMOS A CARA NO SOL!