Eu Apoio a Concessão do Título de Cidadã Paraibana para Eleonora Menicucci
Para: Assembleia Legislativa da Paraíba
Texto do Jornalista Walter Galvão:
"Peço licença para compartilhar estas considerações.
Opino que é importante e positiva a proposta da deputada estadual Estela Bezerra de concessão do título de Cidadã Paraibana à atual secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos Eleonora Menicucci.
A homenagem é moralmente justa, historicamente necessária e socialmente relevante. Essa ex-professora da UFPB, militante na Paraíba contra a violência feminicida e contra a homofobia, merece mesmo.
Precisamos construir referências geracionais capazes de inspirar ousadia, desprendimento e espírito público nos momentos de crise em que a ameaça e a supressão das liberdades se tornam obstáculo concreto à cidadania.
Eleonora representa uma geração que se indignou com o abismo da ditadura no Brasil em 1964 ao ponto de renunciar a tudo e mergulhar no risco diário de morte no confronto radical com as forças da repressão.
Foi capturada.
Conheceu a violência das prisões do regime militar, sofreu tortura, mas resistiu e não perdeu o ímpeto, a vontade de transformar para melhor a realidade com gestos, palavras e atitudes.
Eleonora representa as mulheres militantes por direitos humanos. Foi e é uma voz que não se cala em defesa da identidade das minorias, pela promoção da igualdade, pelo reconhecimento à diversidade humana em todas as suas formas de realização.
Disse que o aborto legal é uma questão de sobrevivência para milhares de mulheres no Brasil quando sequer a palavra aborto era pronunciada em público. E isso não faz muito tempo.
Reivindicou à condição homossexual um status de plenitude do ser em sua integralidade subjetiva, objetiva, cultural, ética e psicossocial quando era impossível a um agente público admitir que a homossexualidade era uma identidade a ser considerada como tal.
Cientista social, Eleonora praticou, professora na UFPB, uma pedagogia da provocação às normatividades científicas em busca da significação da amplitude da crise dos paradigmas.
Nos anos 1980, quando ela residia em João Pessoa, a mutação paradigmática efervescia também na UFPB cosmopolita. A universidade se afirmava regionalmente com a sua diferenciação inteligente no acolhimento das inovações metodológicas anunciadas pelos principais pesquisadores do mundo. Ela contribuiu decisivamente para iluminar a cena histórica paraibana enquanto viveu no Estado.
Homenagear Eleonora é referenciar uma cidadã que simboliza toda uma geração compromissada com a liberdade.
É manter a chama acesa."