Petição Pública Brasil Logotipo
Ver Abaixo-Assinado Apoie este Abaixo-Assinado. Assine e divulgue. O seu apoio é muito importante.

MANIFESTO JORNALISTA EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DOS DIREITOS SOCIAIS

Para: Câmara dos Deputados, Senado Federal, Presidência da República do Brasil

MANIFESTO JORNALISTA EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DOS DIREITOS SOCIAIS


Nós, jornalistas brasileiros abaixo-assinados, vimos

nos manifestar à Nação em defesa da democracia e do

Estado de Direito. Não é a primeira vez, na história

republicana do Brasil, que os jornalistas são obrigados a se

pronunciar pela salvaguarda das conquistas sociais, das

políticas públicas e das garantias democráticas obtidas nas

lutas travadas, desde os primórdios da nossa

nacionalidade, pelos idealistas, pelos libertários, pelos

verdadeiros democratas e pela ampla maioria trabalhadora

de nosso povo.


Três décadas após o fim do regime militar, nos vemos

novamente sob a ameaça do autoritarismo. A cada dia,

crescem os sinais de que está em curso um golpe de

Estado contra a presidente Dilma Rousseff, eleita de forma

legítima e democrática, e que, a despeito de qualquer

crítica que se faça a seu governo, não está ligada a nenhum

fato que dê base legal a um pedido de impeachment. No

entanto, parlamentares que acumulam denúncias de

corrupção, como Eduardo Cunha e alguns

dos principais partidos políticos do país já contabilizam

votos no Congresso Nacional com esse intuito e negociam

abertamente um futuro governo, num clima de golpismo

institucionalizado.


Em nome do combate à corrupção, a Operação Lava

Jato atropela garantias constitucionais duramente

conquistadas, como a neutralidade do Judiciário, o direito

ao devido processo legal e a presunção de inocência. A

hostilidade crescente nas redes sociais extravasa para as

ruas, e o convívio plural e civilizado no espaço público,

que em tempos recentes havia avançado bastante, já se

turva. Queremos romper esta teia de ódio!

Lembramos que o combate à corrupção também

apareceu como pretexto para o golpe de 1964. A memória

nacional não pode ser tão curta. Repudiamos a corrupção e

exigimos a punição de corruptos e corruptores, mas

sempre com respeito às regras do Estado Democrático de

Direito.


Não aceitamos o retrocesso. Para nós, a democracia é

um valor supremo, irmão da soberania popular.


Defendemos os direitos sociais – o patrimônio público, as

reservas de petróleo do pré-sal, as empresas estatais, os

direitos trabalhistas, os avanços contra o racismo e o

machismo, a redução da miséria e da desigualdade –

ameaçados pelos adversários da democracia, muitos dos

quais são notórios corruptos.


Como jornalistas profissionais, denunciamos o papel

nefasto que as grandes empresas de comunicação têm

desempenhado na presente crise. Beneficiadas pela falta

de regulamentação do artigo 220 da Constituição, que

proíbe os monopólios no setor, utilizam sua posição no

controle da mídia como ponta-de-lança na ofensiva

política contra o governo federal, em defesa dos interesses

econômicos das elites nacionais e estrangeiras e dos

partidos políticos que as representam.


Essas empresas transformam seus veículos noticiosos

em alto-falantes para que fontes ocultas no aparelho de

Estado alardeiem vazamentos seletivos de informação,

visando a destruir reputações e a soterrar o direito de

defesa. Quando criticadas, usam como escudo a liberdade

de imprensa, mas negam a seus jornalistas – empregados

assalariados – a cláusula de consciência, que permitiria a

cada qual se recusar a agir contra a ética e em defesa da

rigorosa apuração jornalística e da verdade dos fatos.


Assim, multiplicam-se casos de profissionais assediados

por determinações superiores e obrigados a se subordinar a

orientações com as quais não concordam para manter seu

sustento. Não podemos nos conformar com o clima de

intimidação reinante em diversas redações. Trabalhamos

pela pluralidade na mídia impressa, falada, televisada e na

internet, por um jornalismo ético e de qualidade, pelo

respeito ao direito social à informação e ao operário da

notícia, o jornalista.


Neste momento tormentoso, vamos nos manter a todo

custo nas trincheiras da luta democrática e social.

Queremos ao nosso lado todas e todos os que mantêm

apreço pela democracia e pelos avanços que apontam para

um Brasil mais justo, mais desenvolvido, mais

independente e mais soberano. Vamos nos somar, nas

ruas, aos que se opõem ao impeachment e a outros meios

ilegítimos com os quais pretendem derrubar o governo que

resultou de eleições legítimas. Não vamos deixar que nos

calem.


Não ao golpe! Viva a democracia!


Primeiros signatários: Mauro Santayana, Maria Inês Nassif, Laurindo Lalo Leal, Rodrigo Vianna,
Altamiro Borges (coordenador do centro Barão de Itararé), Audálio Dantas (jornalista e escritor), Celso Schröder (presidente da Federação Nacional dos Jornalistas), Fernando Morais (jornalista e escritor), Igor Fuser (jornalista e professor universitário), Laura Capriglione (Jornalistas Livres), Paulo Moreira Leite, Paulo Zocchi (presidente do Sindicato do Sindicato dos Jornalistas SP), Rose Nogueira, Vilma Amaro (presidente do grupo Tortura Nunca Mais) André Freire, Cândida Vieira, José Eduardo Souza, Lilian Parise, Vitor Ribeiro, Ana Flávia Marx, Evany Sessa, Telé Cardin, José Augusto Camargo, Vladimir Miranda, Priscila Chandretti,
Já Assinaram
7 Pessoas

O seu apoio é muito importante. Apoie esta causa. Assine o Abaixo-Assinado.

Abaixo-Assinado criado por:

Contatar Autor




Qual a sua opinião?


Esta petição foi criada em 25 março 2016
O atual abaixo-assinado encontra-se alojado no site Petição Publica Brasil que disponibiliza um serviço público gratuito para todos os Brasileiros apoiarem as causas em que acreditam e criarem abaixos-assinados online. Caso tenha alguma questão ou sugestão para o autor do Abaixo-Assinado poderá fazê-lo através do seguinte link Contatar Autor

Outros Abaixo-Assinados que podem interessar

Não à usina de Usina de Belo Monte!
Pena máxima pela morte do Yorkshire
Contra o aumento nos salários
Sancionar Ato Médico