Manifesto de evangélicos potiguares contra o golpe
Para: Sociedade e Congresso Nacional
O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se abraçarão.
Salmo 85. 10
Os últimos anos fizeram surgir no Brasil os mais distintos e violentos discursos políticos alimentados e se alimentando de ódios e ressentimentos. Infelizmente parte desses discursos surgiram no ambiente religioso e evangélico.
Tratam-se de perspectivas religiosas que se esquecem dos compromissos sociais exigidos pelo evangelho do Reino. São pessoas que reduzem o evangelho à dimensão moral e esquecem da ética comprometida com a justiça social, com a inclusão, com o Deus que chama de bem-aventurado o pobre (Lc. 6. 20).
É na disputa de poder que esquece o pobre que um presidente da Câmara dos Deputados, cristão evangélico, réu por corrupção junto ao STF, promove um processo de impeachment contra uma presidenta da República democraticamente eleita. Sem crime de responsabilidade, como se dá agora, impeachment é um golpe contra a democracia.
No Golpe de 64 e durante a Ditadura Militar, boa parte do movimento evangélico, inclusive diversas denominações, prestaram apoio e homenagem aos golpistas e ditadores. Enquanto a ditadura brasileira torturava e matava opositores, as igrejas protestantes silenciavam e expulsavam as vozes libertárias e democráticas que ousaram se levantar contra o regime.
É fundamental afirmar que não concordamos, como evangélicos, com reiterados apoios a teses golpistas encampados por lideres e religiosos que, para tanto, dizem falar em nosso nome ou em defesa do evangelho.
Golpe algum pode ser dado em nome dos evangélicos ou de nossas igrejas ou sob pretexto qualquer de que se faz em consonância com o evangelho do Reino. O evangelho do Reino tem a ver com justiça, paz, alegria.
Estamos aqui unidos à luta pela democracia porque esta é a nossa vocação, a nossa esperança: para que o amor triunfe, para que a justiça reine, para que a paz se instale - e acima de tudo, para que justiça e paz se abracem em direção a um futuro em que as instituições funcionem para o enfrentamento de todo crime e toda corrupção, sem investigações ou vazamentos parciais.
Estamos aqui para o voto de mais de 54 milhões de brasileiros se mantenha válido e preservado.
Os golpistas, dentre outras atrocidades, querem comprometer o futuro de nossa educação modificando o marco regulatório do pré-sal. Quem acabar com as garantias trabalhistas, com direitos sociais.
Estamos aqui porque, no Espírito Santo e Profético que está conosco, precisamos erguer nossa voz: “Não Vai Ter Golpe”.