Comunicadores potiguares contra o golpe
Para: Sociedade e Congresso Nacional
Uma das maiores ameaças à ainda frágil democracia brasileira é a concentração oligopolista da propriedade dos meios de comunicação de massa, que se estende, inclusive, aos espaços informativos na Internet. Aqueles que controlam a mídia detém importante parcela do poder para informar, formar, conformar e deforma a opinião pública em um país. A essa mídia se entrega o controle, portanto, da democracia.
Por isso mesmo, em diversos países ocidentais existem previsões legais que regulamentam tanto a concentração econômica na mídia como também o monopólio na produção de notícias e conteúdo. A Constituição Cidadã, de 1988, prevê no seu capítulo que trata da Comunicação Social, a proibição do monopólio e oligopólio de mídia. No entanto, tal proibição jamais foi regulamentada.
A concentração da mídia é um dos fundamentos principais da atual crise política brasileira. Isso se dá porque uma mídia concentrada controla a informação e a opinião pública, manifestando, assim, suas tendências golpistas.
No dia em que rememora o fatídico golpe militar de 1964, executado sob o louvor e aplauso da mídia, nós, comunicadoras e comunicadores, jornalistas potiguares, nos levantamos para denunciar que a mesma mídia agora, de maneira quase unânime, se une em coro na defesa de um novo golpe contra a democracia: um golpe jurídico-midiático disfarçado com as roupas do impeachment. Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe - e é isso que apoia a mídia.
A entrega do governo ao PMDB e à oposição derrotada nas urnas sepultará, de vez, as esperanças de que possamos realizar, no Brasil, uma real democratização dos meios de comunicação, cujo passo inicial seria a regulamentação do que prevê o texto constitucional. O golpe em curso, em seu braço midiático, necessita de uma mídia oligopolista e alienante que mantenha sob submissão boa parte de nossa opinião pública que, envenenada pelo golpismo midiático, desconhece o que está em jogo na nossa democracia e, até, o teor real do processo de impeachment que sofre a presidenta Dilma Rousseff.
Mais importante do que quais questões político-ideológicas, está em questão a democracia. O golpe nos alienará dela de uma maneira ainda mais intensa do que a mídia oligopolizada já realiza hoje.
Por isso, precisamos denunciar o golpe, defender a democracia e democratizar a comunicação!