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Abaixo-assinado Ex-alunos UNESP ASSIS

Para: Ex-estudantes da FCL UNESP ASSIS

Nós, ex-alunos da Faculdade de Ciências e Letras de Assis, manifestamos nosso repúdio à tentativa de coibição do Movimento Estudantil, e deslegitimação das decisões tomadas em Assembleia dos estudantes, por parte da direção desta faculdade. Denunciamos a criminalização de integrantes da comunidade acadêmica por deliberações tomadas em assembleia estudantil do campus, assim como a ameaça de uso de força policial e processo para oprimir os estudantes.
No dia 16/05 os estudantes da Faculdade de Ciências e Letras de Assis - Unesp, em assembleia geral, deliberaram greve e ocupação do campus. A motivação desta atitude combativa está expressa em suas pautas:
Contra o Golpe.
Por Permanência Estudantil.
Contra precarização: o corte de verbas para as universidades estaduais paulistas, a precarização estrutural e principalmente do ensino (pela contratação de professores)
Paridade: Pauta interna para um acordo com as comissões e órgãos colegiados locais por paridade.
Inclusão de um artigo especial no estatuto da UNESP que trate de violência sexual e de gênero.
O golpe que sofremos recentemente, que culminou na ascensão do governo ilegítimo de Temer é colocado como elemento norteador da luta estudantil neste ano de 2016. Seu governo representa o que há de mais conservador na política brasileira e suas decisões são fortemente ligadas a exclusão dos direitos dos trabalhadores, garantindo os privilégios da elite.
Em nota de esclarecimento à comunidade sobre o processo civil aberto contra estudantes da FCL/Assis, a direção alega agir pelo “pleno respeito ao Estado Democrático de Direito” recorrendo ao sistema judiciário, que instituiu uma liminar criminalizando atos dos estudantes referentes à greve e ocupação. Alega ainda que tal decisão foi tomada em “defesa do patrimônio público e o pleno funcionamento dessa unidade. Inclusive, e principalmente, a garantia do direito de livre manifestação”.
A nós ex-alunos parece que a “livre manifestação” que a direção se refere é pautada em burocracia e obediência civil, e vem de encontro com o momento político que vivenciamos: instauração de um golpe contra a democracia, com o processo de impeachment de uma presidenta democraticamente eleita, avanço nas politicas neoliberais e de sucateamento das instituições públicas. Para uma gestão que se diz aberta ao diálogo e à “gestão participativa”, a direção da FCL/Assis se mostra intolerante à luta do Movimento Estudantil, assim como desrespeitosa às deliberações dos estudantes em seu mais alto fórum deliberativo, a assembleia geral. A ameaça de punição aos estudantes processados, tratados como réus e o pagamento de multa estabelecida de R$ 50.000 (cinquenta mil reais) por dia de descumprimento a liminar é absurda além de não condizente com a realidade de estudantes que lutam pela qualidade da educação pública.
“Alega, ainda, que haverá prejuízo no recebimento de produtos, pagamentos de fornecedores, realização de eventos na Unidade, simpósios, encontros, congressos, além da própria atividade acadêmica em geral”. Sabemos que nas últimas greves, 2013 e 2014 (ambas com mais de 3 meses de duração), as atividades essenciais como as que envolvem a participação da comunidade assisense (CLDP, CPPA, etc), os laboratórios, incubadora... continuaram suas atividades. A atual gestão da FCL/Assis deixa muito à desejar na representação de seu campus, seguindo claramente às politicas da REItoria. Não é o primeiro caso que a atual diretora do campus se vê envolvida em polêmicas e processos contra discentes do campus. No ano de 2014 a atual diretora no papel de professora, processou um discente que na época se encontrava em seu primeiro ano. Ainda, no início deste ano, discentes organizados através de seus coletivos elaboraram uma carta de repudio por meio de uma circular no campus devido aos novos métodos de gestão tuteladores, tecnicistas e burocratizantes, além da constante ameaça de processos e chantagens contra alunos que se mobilizam dentro da unidade.
O campus da Unesp de Assis carrega consigo um vasto histórico de lutas contra as medidas arbitrárias, intolerantes e injustas dos governos passados. Em tempos de Ditadura Civil Militar, a FCL/Assis sempre se destacou pela sua luta por democracia e liberdade de expressão, seja através das inúmeras greves e ocupações protagonizadas neste território, ou pelos coletivos que surgiram na resistência da comunidade acadêmica, principalmente dos estudantes. Os estudantes desta unidade, bem como todos que lutam por melhorias na educação, não devem sofrer repressão por lutarem pelos seus direitos e de colegas que ocuparão estes espaços.
Acreditamos na necessidade de atuação política dos indivíduos na sociedade, e para tanto precisamos deixar o pensamento individualista e pensarmos no bem-estar coletivo. É inconcebível, para nós ex-alunos, que em um campus onde a maior parte dos cursos é de licenciatura e formação de professores, com discussões e trabalhos muito importantes na área da educação, ocorra tamanho retrocesso. A luta pela educação deve ser diária e de todos, buscando unidade nas nossas lutas e pautas. Para isso devemos ter conhecimento da história, para que ela nos oriente e auxilie em nossas vidas e resistência. A consciência histórica deve ter esse papel, fazer o indivíduo refletir sobre os problemas da sociedade, agir sobre a solução dos mesmos, tornando-se um cidadão consciente do seu papel social e ativo na busca de uma sociedade justa e igualitária, com educação de qualidade para TODOS.
Pedimos que o caminho a ser seguido seja o da resolução dos problemas por meio do dialogo e da referida “gestão participativa” que ainda não saiu do plano de campanha. Pedimos o fim das perseguições políticas contra os estudantes da FCL/Assis e da UNESP como um todo. Pedimos que a direção abra as portas para um dialogo buscando resolver da melhor maneira possível os atuais impasses vividos por toda a comunidade acadêmica da Faculdade de Ciências e Letras de Assis - Unesp e que em tempos sombrios como os que o país está vivendo com o governo interino de Michel Temer a REItoria da UNESP tome consciência de sua intransigência e retire os processos políticos contra TODOS os estudantes que lutam por educação de qualidade, gratuita e para todos como dita a Constituição Federal de 1988.
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Esta petição foi criada em 03 junho 2016
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