Petição para proteção e continuação das aulas da FEB
Para: Alunos e professores da FEB
Sobre o esforço de greve e a FEB:
É de conhecimento geral que, recentemente, na data de 24/05/2016 (terça-feira), foi aprovado pelo Conselho de Estudantes a paralização das atividades nesta unidade da UNESP e em 26/05/2016 (quinta-feira) foi aprovada em assembléia estudantil a greve estudantil da UNESP de Bauru; e, conquanto legitimas as reivindicações dos alunos grevistas, é premente uma discussão mais aprofundada sobre a eficácia do esforço de greve na consecução dos interesses dos estudantes e da participação dos alunos da FEB dentro deste mesmo esforço.
Inicialmente é preciso reconhecer que a greve está com sua utilização banalizada, um instrumento que deveria ser utilizado como ultima ratio quando todos os meios de negociação falham e o perigo de dano irreparável se avulta, hoje é instrumento corriqueiro e até esperado dentro do cenário da educação pública. Esta banalização, a experiência nos mostra, torna um instituto legitimo que deveria servir ao bem dos estudantes, ao melhoramento de suas experiências acadêmicas, em fonte de grande angustia, danos e incertezas. Prazos são perdidos, provas são adiadas, o investimento, o esforço de alunos e familiares é desperdiçado, enquanto a própria vida profissional do estudante resta comprometida. O estudante, de futuro engenheiro, é transmutado em um eterno graduando, um eterno estudante de engenharia.
Como fica a situação de alunos que possuem trabalhos para entregar, pesquisas para fazer, cursos de extensão a realizar e dependem das instalações da UNESP? Como fica a questão do calendário da faculdade e as férias? A greve compromete a vida do aluno em suas dimensões acadêmica, profissional e até pessoal, pois, compromete o período próprio reservado ao desfrute com a família e amigos. Diante da greve resta ao discente o isolamento enquanto o mesmo precisa fazer um esforço dobrado para não “perder o ritmo” e continuar os estudos sem o auxilio dos professores e, muito embora não seja descabido pensar que alguém seja capaz de aprender a teoria por conta própria; há de se questionar por quê, então, obrigar o aluno a passar pela experiência do vestibular para conseguir o diploma da universidade, uma vez que este não recebe aulas e deve estudar por conta própria por causa de greves promovidas pelas demais faculdades.
Ademais, é evidente a falta de representação dos alunos da FEB dentro da universidade, uma vez que as demais faculdades possuem mais cursos e, consequentemente, mais estudantes dentro do Conselho de Estudantes. Em outras palavras, o destino da FEB não é decidido pelos discentes da FEB, mas, por terceiros.
Por todo o exposto acreditamos que a greve não está de acordo com os interesses do corpo discente da FEB, sendo necessária a discussão do tema pelos alunos e professores da área de engenharia de forma à tratar da possibilidade de continuação das aulas e atividades curriculares dentro da Faculdade de Engenharia, apesar da paralização dos demais cursos da unidade Bauru. Deste modo, acreditamos que, agradando gregos e troianos, fica garantido tanto o direito de greve de quem quer parar suas atividades discentes como forma de protesto (algo, repita-se, completamente legitimo) quanto o direito de estudar daqueles alunos que desejarem continuar com sua vida acadêmica. Esta é a melhor solução dentro de uma realidade plural e democrática: quem quer fazer greve que faça, mas, quem não quiser, que tenha o seu direito à educação garantido.