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Carta aberta dos funcionários do Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Unicamp em busca da valorização institucional

Para: Funcionários, Estudantes, Docentes da Unicamp e a quem possa interessar

Campinas, 01 de julho de 2016

Carta aberta dos funcionários do Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Unicamp:
em busca da valorização institucional
Em face da atual crise política, financeira e social que as universidades
estaduais paulistas vêm enfrentando ao longo dos últimos meses, e do consequente
acirramento e embate de opiniões divergentes entre estudantes, professores e
funcionários, vimos, através dessa carta, expressar nossa preocupação em relação à
dificuldade de se estabelecer uma conversa tranquila e respeitosa entre todas as
partes envolvidas.
O momento requer calma, tranquilidade e um esforço de todas as categorias
em considerar o “estar no lugar do outro” para evitar um conflito ainda maior. Todos
devem ter voz, e embora exista uma tendência de supremacia de uma categoria em
relação às demais, é importante encontrar um equilíbrio de modo que se evite o
distanciamento entre elas.
A crise que se instalou na universidade vem prejudicando o convívio, a
discussão livre de ideias e, especialmente, degradado as relações humanas. Esse
cenário tem se mostrado cada vez mais adverso e crítico para todos, especialmente
aos funcionários, que além de ter um dissídio de 3%, inferior ao índice FIPE, está refém
de um quadro de difícil resolução:
 Desde 2013 sem avaliação de desempenho;
 Ausência de mecanismos que possibilite a progressão na carreira PAEPE;
 Há pelo menos 2 anos esperando a aprovação de uma nova carreira, que, pelas
informações que tivemos, já não é a mesma proposta e apresentada pelo grupo
de trabalho (que foi amplamente discutida e avaliada entre a comunidade e
CSAs);
 Possui pouco ou nenhum poder de decisão nos órgãos deliberativos da
universidade que facilite a discussão de pautas específicas;
 100% de contingenciamento na carreira PAEPE, sendo a mais prejudicada em
relação aos cortes propostos na GR10/2016;
 Falta de transparência (acesso às informações) e consequente, falta de
confiança na condução dos processos de interesse dos funcionários;
 Ausência de uma rubrica no orçamento da universidade que preveja e priorize
o dissídio anual dos servidores;
 Ausência de uma rubrica no orçamento da universidade que garanta a
progressão na carreira dos funcionários, similar a vigente para a carreira
docente;
 Um processo de isonomia com a USP não concluído e que “achatou” os salários
para os mesmos patamares, no qual funcionários com mais anos de casa
tiveram seus salários igualados ao piso de funcionários ingressantes;
 Insegurança quanto aos desdobramentos da PL 257 a todos os servidores
públicos;
 Falta de apoio por parte da congregação do IFGW quando consultada sobre o
apoio de uma moção de poucas linhas sobre a possibilidade da abertura de
negociação junto ao CRUESP.
Na maioria dos casos, percebe-se uma racionalidade que torna os dirigentes e
também a maioria da comunidade docente indiferentes às demandas e dificuldades da
carreira PAEPE. Em consequência disso, temos um cenário que não reconhece e
valoriza os esforços individuais e das equipes no desempenho das suas atividades
diárias, não oferecendo nenhuma perspectiva de crescimento pessoal e profissional na
Unicamp, quando se compara, por exemplo, com carreira a docente, em que há
nitidamente mais chances de retorno financeiro e maior reconhecimento em todos os
níveis e espaços de decisão.
Esse cenário acima descrito não era exatamente o que almejávamos para o ano
em que a UNICAMP completa 50 anos. Há muitos motivos a se comemorar,
evidentemente, mas estes estão sendo ofuscados em face de tantos conflitos.
Lamentamos que assim seja, esperamos superar esse momento de crise sem deixar de
lado o respeito às opiniões divergentes e a valorização do trabalho de todos os
funcionários que também ajudaram a construir essa universidade e que, apesar de
tantas dificuldades, ainda se sentem compelidos a lutar por dias melhores para toda a
comunidade.
Subscrevem esta carta os funcionários abaixo listados.
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Esta petição foi criada em 21 junho 2016
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