Assinemos pela concessão do título de cidadão Olindense a Plínio Araujo Victor.
Para: Ao Poder Legislativo de Olinda-PE
Assinamos pela concessão do titulo de cidadão Olindense a Plínio Araujo Victor, este ilustre filho de pocinhos no interior da Paraíba que tanto trabalhou e ainda faz pela preservação da nossa cidade histórica e patrimônio da humanidade Olinda.
Histórico Biográfico
Plinio Victor
Plinio Araujo Victor.
Nasceu na cidade de Pocinhos, Paraiba, em 8 de Setembro de 1951, onde fez o curso primário no Instituto Nossa Senhora da Conceição;´Em 1963, fez o Curso de Admissão ao Ginásio no Colégio Alfredo Dantas em Campina Grande.
Em 1964, ingressa, em regime de internato, no Seminário Diocesano de Campina Grande, da Ordem secular de padres holandeses lazaristas, São Cura d’Ars.
Em 1966, retorna a Pocinhos e conclui o Curso secundário no Colégio Municipal Padre Galvão.
1975, realiza o vestibular e ingressa em 76, no Curso de História da UFPE, onde faz o Mestrado em História, com especialização em arqueologia.
Ainda na graduação, participa da instalação do Núcleo de Estudos Arqueológicos do Dep. de História do Centro de Filosofia Ciências Humanas da UFPE, com as arqueólogas professoras do Dep. De História, Doutora Gabriela Martin e Alice Aguiar e o colega Paulo Tadeu de Souza Albuquerque, hoje também arqueólogo, com os quais participa, ainda como estudante de graduação com membros da primeira geração de arqueólogos de todo o Brasil, da fundação da Sociedade Brasileira de Arqueologia – SAB, no Teatro Municipal de Santos São Paulo. Em fins da década de 1970, participa de encontro do NEA, com a arqueóloga,Professora Doutora Niede Guidon, em São Raimundo Nonato, no Piauí, onde a arqueóloga iniciava o seu projeto na Serra da Capivara. Ali, durante as décadas de 70 e 80, fez vários estágios de arqueologia, tendo participado sob a orientação de Niéde Guidon, das escavações do sítio do Boqueirão da Pedra Furada, cujas datações reformulam as datações para o povoamento da América. Nos anos 9, concebe a exposição exposição permanente de instalação do Museu do Homem Americano, já reformulada hoje, museu sobre os achados em São Raimundo Nonato, Piaui, que coloca o homem daquela região, até o momento, como o mais antigo das Américas.
Durante as décadas de 70, 80, 90, participa de todos os projetos arqueológicos do NEA, notadamente no Vale do Catimbau, no município de Buique, e no Seridó, micro região dos sertões de Pernambuco e Paraiba. No Catimbau as datações para a presença do homem recuam até há 7. 000 anos e no Catimbau há 7 000 anos, e, ali, participa da equipe de pesquisas da arqueóloga, professora da UFPE Alice Aguiar, que classifica a tradição de pintura rupestre denominada Agreste, expressão gráfica de um universo cultural. No Seridó integrando a equipe do NEA, participa das pesquisas da arqueóloga Gabriela Martin, que identifica a sub tradição Seridó, da tradição Nordeste de pintura rupestre, tradição que tem seu epicentro na Serra da Capivara no Piai, donde migrou para o Seridó, representantes de um outro universo cultural, o dos indígenas do tronco linguístico Macro Jê.
No Seridó, durante as pesquisas para formulação da tese de doutorado, ainda inconcluso, desenvolveu e dirigiu um programa de Educação Patrimonial – 50 000 Anos de Arte no Brasil, referente às datações na Serra da Capivara no Piaui, de onde aquela cultura migrara para o Seridó, adaptando-se, e se miscigenando com o colonizador , de onde vem a população atual da região. O programa atingiu durante três anos, até o ano 2000, dezoito municípios de Pernambuco e da Paraiba, contou com a participação dos arqueólogos e estudantes de arqueologia do NEA, e da participação voluntária de trinta artistas plásticos do Recife e Olinda, entre os quais Teresa Costa Rêgo, de quem Plinio sempre foi muito amigo. No ano 2000, o programa se encerrou com uma mega exposição na cidade de Caiçó, RN, principal cidade da região.
Nos anos de 2005 a 2010, em várias ocasiões participa da coorientação das escavações do complexo arqueológico Furna do Umbuzeiro, no município de Carnauba dos Dantas, Seridó- RN, sede do projeto do NEA, na região, escavações que revelam, por fim, vestígios antropológicos físicos de restos do homem Macro Jê naquele nicho regional de caatinga.
Em 1986, entra para o corpo funcional da Prefeitura de Olinda, na administração do Prefeito José Arnaldo, o segundo prefeito eleito após a ditadura militar, integrando ainda no início a equipe que na administração anterior, a primeira eleita depois da ditadura, a do Prefeito Germano Coelho, fundara o Sistema e a Fundação Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda – FCPCHO, como Diretor de Eventos, da Diretoria de Cultura daquela Fundação, dirigida por Teresa Costa Rêgo, cujo único órgão, parte dessa fundação e sistema, hoje existente, é o Arquivo Municipal Antonino Guimarães, centro da documentação da memória de Olinda, portanto do Pernambuco inicial, nominado pela UNESCO Memória do Mundo. O antigo Sistema de Preservação de Olinda, foi base e condição sine qua non para a cidade ser reconhecida e receber da UNESCO, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.
Em 1988 integra a Comissão para as Comemorações do Centenário da Abolição, da Prefeitura Deolinda, ocasião em que apresenta o projeto para a construção do Memorial Zumbi no Pátio do Carmo no Recife, local onde a cabeça decapitada do herói dos Palmares fica “exposta até a sua completa decomposição para servir de exemplo aos outros negros”, como consta no decreto do Governador de Pernambuco, pois Alagoas , a Serra da Barriga, e nela o lugar do quilombo dos Palmares, e a cidade de Porto Calvo em Cuja Câmara de Vereadores foi reconhecido o corpo e decapitado Zumbi, e lavrados os autos e o Estado de Alagoas onde se situam Palmares e Porto Calvo, à época, eram territórios pernambucanos.
A proposição foi aprovada na Comissão e pelo Prefeito José Arnaldo, e em seguida apresentada ao Prefeito do Recife, Jarbas Vasconcelos, tendo, no entanto, não sido construído o Memorial.
Ainda na década de 1980, participa sob a direção de Teresa Rêgo da remontagem do Museu do Estado de Pernambuco, sendo responsável pelo circuito de exposição permanente do acervo indígena e arqueológico Costa.
Em 1994, integra a Comissão Municipal para as comemorações do III Centenário de Zumbi, da Prefeitura de Olinda, ocasião em que em cerimônia no Palácio dos Governadores sede da municipalidade de Olinda, a Prefeita entrega, novamente ao Recife, na pessoa de Prefeito João Paulo, o mesmo projeto reaprovado do Memorial Zumbi a ser construído no pátio do Carmo, na vizinha cidade. Novamente o projeto do Memorial fica nas cerimônias e é esquecido.
Em 1992 apresenta proposta de realização da Bienal de Arquitetura e Urbanismo do Recife ao Instituto dos Arquitetos do Brasil-PE, instituição com a qual desenvolve o projeto. Terceirizado, no processo de discussão, a Bienal é apropriada por uma produtora de eventos que registra os direitos autorais sobre ela, é afastado do projeto junto com o IAB. A Bienal é realizada dois anos no Recife, depois transferida para Salvador na Bahia e se acaba deois de algumas edições.
Em 1994 executa a montagem de instalação do Museu do Mamulengo, órgão da Prefeitura de Olinda, único da América Latina, com Isolda Pedrosa sua primeira Diretora, e com a historiadora Marieta Borges.
Em 1995 exerce o cargo de Diretor de Preservação da Secretaria de Cultura, Preservação e Turismo de Olinda, sob a segunda administração do Prefeito Germano Coelho. O FCPCHO, já havia sido extinto.
Em 1998 integra a Comissão para as Comemorações dos 450 Anos da Câmara de Vereadores de Olinda, na qual é responsável por realizar pesquisa sobre a história da Câmara de Vereadores de Olinda e escrever o livro “ Câmara de Olinda 450 Anos”, publicado na ocasião por esta Casa, atualmente e negociações para ser publicado novamente. Na ocasião, para as solenidades na CÂMARA DE Olinda, foram convidados todos os Presidentes de Câmaras de Vereadores da cidade principais e de capitais das capitais das antigas Capitanias de todo o Brasil.
No ano de 2000, integra a Comissão para as Comemorações dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil, da Prefeitura de Olinda, pois Olinda, por decreto Presidencial, por sua importância na construção e formação do Brasil, foi uma das cidades que tiveram que ter comemorações oficiais. Naquela Comissão apresenta o projeto de criação da Casa de Cultura dos Povos de Língua Portuguesa, dentro do conceito de que aquelas comemorações deveriam ser pretexto para criar-se um órgão na cidade de Olinda, cidade fundamental na formação do Brasil e de importância também fundamental para a expansão do Império português, que misturara esses povos hoje separados, para novamente através não mais de um projeto de colonização, mas de reaproximação desses povos, de reatar os laços partidos dessa grande comunidade mundial espalhada pela Europa, América, África e Ásia, unida por língua e laços culturais outros.
Em 2004 dirige por nomeação da Prefeita Luciana Santos, a Comissão para as Comemorações da Restauração Pernambucana e Nordestina, como fez questão de denominar, entendendo que denominar só de pernambucana diminui duas vezes o feito, a primeira porque a guerra de restauração foi nordestina e das margens do São Francisco, com episódios em Salvador, Bahia, até a cidade de São Luiz no Maranhão, e, a segunda vez pois, tendo sido comandada precisamente por Olinda, pois o Recife fora transformada na cidade de ocupação holandesa, a dimensão do feito pernambucano apequena-se, provincianiza-se, quando nominada só de Restauração pernambucana, esconde a dimensão do feito maior por ter extrapolado o território de Pernambuco, tendo sido da dimensão do Nordeste, assim, assegurado a integridade do seu território por Pernambuco.
Dirigiu portanto as Comemorações que tiveram seu ponto alto no dia 27 de janeiro de 2004, com solenidade no Palácio dos Governadores, Prefeitura de Olinda, com a presença de, ou representantes de Governadores de todo o Nordeste, `de etnias indígenas e de grupos afros, dada a participação em quota étnica no exército restaurador, e à noite com Te Deum na Sé de Olinda, também com representantes de índios e afros e representantes de, ou Arcebispos do Nordeste pela incisiva participação da Igreja Católica na Guerra de Restauração.
Como Presidente apresentou a proposta da titulação de Olinda como Capital Simbólica de Pernambuco a cada 27 de janeiro, dia da rendição dos holandeses e da entrega do Recife aos olindenses, proposta que tendo que ser apresentada e votada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, foi apresentada naquela Casa Legislativa pela Deputada Teresa Leitão, tendo sido aprovada por unanimidade e sancionada pelo Governador Jarbas Vasconcelos. Do mesmo modo, através do Deputado Federal Maurício Rands, foi apresentada ao Congresso Nacional a proposta para a titulação de Olinda Capital Simbólica do Brasil a cada 27 de Janeiro, proposta votada e aprovada depois de 2004, e sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho de 2010.
Em 2007 publica o livro Olinda 25 Anos de Patrimônio da Humanidade, em comemoração da data, publicação atualmente em negociações para uma nova edição.
Durante todos esses anos de funcionário público de Olinda, participou, e, ou dirigiu as escavações arqueológicas na cidade, como parte imprescindível do permanente processo de preservação desta cidade patrimônio histórico cultural dos brasileiros e Patrimônio Cultural da Humanidade, como:
1 – escavações que evidenciaram no pátio do Convento franciscano de Nossa Senhora das Neves, as ruínas do antigo Convento franciscano, o primeiro do Brasil demolido pelo incêndio ateado a Olinda pelos holandeses em 1631, durante a guerra provocada pela invasão da Companhia das Índias Ocidentais, vestígio importante do momento máximo da resistência desta cidade, no processo de construção do Brasil, atualmente sob discussão do IPHAN, que pretende soterra-las novamente sob pretextos meramente estéticos, portanto absolutamente subjetivos, em detrimento do imperativo de se ter que evidenciar os elementos documentais físicos, na paisagem urbana, em função da memória da cidade, soa auto-estima, e, até do atrativo turístico;
2 – escavações que evidenciaram sob o Convento carmelita de Santo Antônio de Olinda, o primeiro da América Latina, as ruínas que atestam a evolução dos três momentos do edifício e sua igreja, incluindo as bases da igreja demolida pelo incêndio holandês de 1621, atestatória da resistência olindense e pernambucana, mas que foi novamente aterrada por imposição do IPHAN, por motivos meramente estéticos, portanto subjetivos, em detrimento da memória da cidade;
3 – escavações no Largo da Igreja de Nossa Senhora dos Homens Pretos de Olinda, que evidenciaram as ruínas do único quartel do Olinda do período colonial, todo o seu alicerce, incluindo as soleiras das portas, e a sua Praça de Armas interna, perfeitas, como que um desenho em planta baixa, soterradas por imposição do IPHAN..
Na área do Patrimônio Imaterial, foi o autor das justificativas que consubstanciaram o processo de registro enquanto Patrimônio imaterial da tapioca e do Terreiro Ylê Axé Iemanjá Assessú, ou, Palácio de Iemanjá no Alto da Sé, e compôs a equipe que elabora o processo para o registro de Patrimônio Imaterial da Confraria de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Olinda – séc. XVII.
Na década de 90, foi autor junto com Tresa Costa Rêgo e Petrônio Cunha, do projeto da Secretaria de Cultura municipal – ARTE EM TODA A PARATE, posteriormente terceirizado, modificado e findado.
Em 2004, participa com Lu Araujo da implantação, com colaboração da Prefeitura á época, do projeto Mostra Internacional de Música em Olinda - MIMO
Em 2004, como técnico da Prefeitura, organizou e dirigiu junto com a Paróquia de Guadalupe, projeto de revitalização da memória e do patrimônio imaterial da Igreja e Irmandade de Nossa Senhora de Guadalupe do Homens Pardos de Olinda – século XVII, promovendo a religação dos povos indígenas já catolicisados à sua igreja, visando ainda a criação de um centro da memória indígena, dívida da cidade de Olinda, pois foi por aqui, que o processo de conquista, dominação e colonização do pais iniciou o massacre e extermínio desses povos.
Na década de 90, como apaixonado por carnaval, criou em Olinda a troça a TROÇA A EMA GEMEU, junto com os arqueólogos, historiadores e os trinta artistas pernambucanos que participaram do Programa de Educação Patrimonial, para a área arqueológica do Seridó.