Professores e pesquisadores dos Estudos Africanos em defesa da UERJ
Para: Ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e a sociedade em geral
Nós, pesquisadores e professores da área dos Estudos Africanos viemos por meio desta manifestar o nosso apoio a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, frente aos sucessivos ataques que vem sofrendo por parte do Governo do Estado ao longo dos anos, com o não repasse dos recursos imprescindíveis para o seu funcionamento, bem como o não pagamento de salários de seus servidores.
Com 66 anos de existência a UERJ possui campis em 7 cidades do estado, tem 33 cursos de graduação, 54 de mestrado, 42 de doutorado, 142 de especialização, 623 projetos de extensão, intercâmbios e parcerias internacionais, e dois centros médicos de atendimento e pesquisa: Hospital Universitário Pedro Ernesto e Policlínica Piquet Carneiro, atingindo assim um público de 32.220 estudantes, além de 4.519 funcionários e 2.977 docentes.
Em diferentes rankings nacionais e internacionais a UERJ figura entre as 10 melhores universidade do país e uma das mais importantes do mundo.
Foi uma das primeiras universidades do Brasil a ter a disciplina de História da África em sua grade de ensino, a primeira a ter cotas raciais como uma proposta de inserção de alunos negros, a ter o Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro-Americanos - PROAFRO, criado em 1993 e a ser uma das primeiras a receber alunos africanos em seus cursos de graduação e pós graduação, sobretudo de Angola, Moçambique e Gana.
Nas últimas décadas tem se consolidado como um centro importante de pesquisa e formação continuada nos temas dos Estudos Africanos através do Laboratório dos Estudos das Diferenças e Desigualdades (Leddes) e mais recentemente do Áfricas: grupo interinstitucional de pesquisa. Além de diferentes grupos de investigação existentes em seus diferentes campis e no Colégio de Aplicação, que dialogam com o tema. É também sede da Associação dos Estudos Africanos (ABE-AFRICA), biênio 2017-2018.
A UERJ é um patrimônio do Rio de Janeiro e do Brasil. Defender a UERJ é salvar a universidade pública, é salvaguardar aqueles alunos que vem de condições sociais desfavoráveis e que veem na educação uma possibilidade de transformação de suas vidas. É perfilhar o direito à história dos descendentes de africanos. Por fim é defender o futuro do Rio de Janeiro e do Brasil.
Subscrevem,
Prof. Dr. Sílvio de Almeida Carvalho Filho (UFRJ)
prof. Dr. Washington Santos Nascimento (UERJ)