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Por uma escola politicamente isenta

Para: Professores da Escola Waldorf Micael de São Paulo

São Paulo, 29 de Abril de 2017.

Prezados Professores da Escola Waldorf Micael de São Paulo:

Quando escolhemos há alguns anos essa escola para os nossos filhos, a valorização das liberdades individuais foi um dos fatores primordiais nessa decisão. Entendíamos que a escola focaria sempre nos valores de desenvolvimento humano e diferencial pedagógico da filosofia Waldorf, se abstendo, como Instituição, de quaisquer preferências política, religiosa ou ideológica. Acreditamos ser este um valor essencial na filosofia Waldorf, e que permite o convívio harmônico de uma comunidade tão heterogênea como a nossa (por si só, algo extremamente enriquecedor).

Foi esse tipo de comportamento que observamos, por exemplo, nas intensas manifestações de rua do ano passado quando, envolto em acusações de corrupção, irresponsabilidade fiscal e fraude contábil, o governo anterior terminou condenado em um processo por crime de responsabilidade pelo Congresso Nacional. Apesar da relevância daquele momento histórico, quando milhões de pessoas foram às ruas para protestar, tivemos a satisfação de observar que a escola se absteve de adotar qualquer posição, contra ou a favor, em relação às manifestações.

Na última quarta-feira, entretanto, o corpo docente dessa escola decidiu cancelar as aulas no dia da “greve geral” convocada algumas semanas antes pela CUT (ligada ao Partido dos Trabalhadores) e pelas frentes de esquerda “Brasil Popular” e “Brasil Sem Medo”. Apesar de mencionar a dificuldade de locomoção esperada no dia da greve, o comunicado emitido pelos professores justificava a adesão com o argumento que esse seria um momento para a “..reflexão sobre as reformas trabalhista e previdenciária propostas pela atual agenda política”.

Ao longo da última sexta-feira, pudemos observar manifestações em todo o País que foram marcadas, não pela reflexão ou discussão desses temas, mas sim por diversos episódios de vandalismo, bloqueio de estradas, agressão em aeroportos e outros pontos públicos, e pela utilização de violência generalizada para que outras pessoas aderissem à greve. Além desses aspectos claramente ilegais, as manifestações apresentaram um forte componente político, onde a demanda pela queda do atual Governo suplantaram as críticas às reformas propostas.

Ainda que não aprovem os eventos de violência, os professores, ao aderirem à paralização, assumiram o risco de terem a sua imagem atrelada a esses eventos. Diante dessa decisão, e respeitando os direitos de opinião e a greve dos professores, entendemos que seria oportuno o esclarecimento de alguns pontos para todos os pais e alunos:

1) Quais as razões para que uma escola que não se pauta por colorações partidárias abraçar uma paralisação com viés tão evidentemente político? (inclusive se levássemos em conta, apenas, as entidades que convocaram essas manifestações)
2) Devemos esperar um engajamento dos professores a determinados movimentos políticos e que possam impactar novamente os alunos no futuro? (ainda que essa participação seja aprovada por parte dos pais e alunos)
3) Podemos acreditar que, nas discussões promovidas em salas de aula, os professores continuarão a adotar uma postura desprovida de qualquer viés político ou ideológico pessoal?

Acreditamos que a escola possa e deva sempre promover o pensamento crítico e reflexão dos temas importantes da nossa sociedade. Na verdade, não em um dia específico, mas, regularmente, incentivando a manifestação dos diversos pontos de vista por meio de uma discussão respeitosa e embasada em argumentos.

Entretanto, e independente da eventual predominância de um determinado pensamento, entendemos que a posição ao final da Escola, como Instituição representante de TODOS os alunos, pais e professores, deva ser sempre isenta, inclusive para respeitar a opinião de qualquer eventual minoria.

A própria Federação das Escolas Waldorf do Brasil, em carta aberta da semana passada, se posicionou contra a paralisação das atividades, deixando claro o compromisso das escolas Waldorf em “...receber (todas) as famílias, independente de posições políticas e religiosas....entendendo que a melhor forma de mostrar isso seria mantendo a regularidade do funcionamento diante de movimentos políticos e sociais...”. Outras escolas também decidiram não aderir ao movimento, deixando claro esse compromisso com a imparcialidade e respeito à opinião de todos os pais e alunos.

Acreditamos ser extremamente importante entendermos também a visão dos professores da nossa escola quanto a esses pontos.

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  1. Actualização #2 Encerramento

    Criado em sexta-feira, 5 de maio de 2017

    Essa carta foi entregue aos professores no dia 4/5/17, com a lista dos pais que participaram desse abaixo-assinado.

  2. Actualização #1 Encerramento

    Criado em quarta-feira, 3 de maio de 2017

    Encerrado





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Esta petição foi criada em 02 maio 2017
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