Abaixo-assinado Pela segurança e pelos bichos do Campo de Santana
Para: Prefeito do Rio de Janeiro
Carta aberta ao senhor Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, aos vereadores, à população do Rio de Janeiro.
Escrevemo-lhes em nome dos voluntários do Campo Santana, para lhes pedir ajuda, para suplicar a atenção da Prefeitura, da Fundação Parques e Jardins, da SEPDA (Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais), da Secretaria de Segurança Pública e de todos aqueles que possam influenciar os responsáveis pela Administração Municipal.
Pleiteamos para o Campo de Santana:
?Segurança
?Um melhor e maior programa de atendimento e castrações de animais
?Mais veterinários
?Mais gaiolas para os bichos que se recuperam da castração
No centro do Rio de Janeiro, a Praça da República, conhecida como Campo de Santana desde 1753, onde aconteceu a aclamação de D. Pedro I como “imperador constitucional do Brasil” e foi proclamada a República, é um grande passeio público - tombado pelo INEPAC - arborizado e urbanizado, localizado frente à Central do Brasil. Alí, pensamos, deveria ser utilizado como lugar para trajeto e descanso dos passantes, mas se tornou o contrário disso: um lugar onde as pessoas têm medo de frequentar, um reduto de prostituição, de drogados, mendigos, traficantes, pivetes - sem que nenhuma esfera do governo, seja municipal, estadual ou mesmo federal, tome providência.
Nós, voluntários do Campo de Santana, tentamos cuidar das centenas de animais alí abandonados para o que vier: maus tratos, displicência, ódio, morte. Porque frequentamos esse lugar, deparamo-nos diariamente com uma situação horrível e que atingiu um ponto insustentável, contudo, para os órgãos responsáveis essa história é vista como “normal”, “ natural”, “é assim e pronto”.
Lá convivem drogados, mendigos, pivetes. É um ponto de vendas e consumo de drogas de baixo custo. Ao lado do acesso Av Pres. Vargas, o crack é consumido livremente por adultos, por adolescentes e... por crianças. Os viciados cometem furtos e torturam os animais que vivem no parque, dormem nos bancos e no chão, tomam banho nos sujos lagos e fazem suas necessidades em espaço aberto, se misturando aos mendigos e moradores de rua. Durante o dia, os assaltos e até mesmo cenas de sexo explicito são frequentes.
O Campo de Santana é, atualmente, um depósito de animais. Lá moram centenas de gatos, cotias, gambás, gansos, patos, marrecos irerês e alguns pavões, cujas penas desaparecem na época do carnaval. Há um posto de castrações com dois veterinários para atender a população de gatos, são castrados em média cinco gatos do parque por semana, mas isso é quase nada diante da imensidão do problema. Hoje só se pode contar com os voluntários para cuidar do pré e pós-operatório dos animais castrados, já que precisam ser abrigados enquanto estão com os pontos cirúrgicos. São esses voluntários que também atendem os bichos enfraquecidos, doentes, maltratados e mutilados, procurando amenizar seu sofrimento e reduzir sua fome.
Vemos os próprios funcionários da Fundação Parques e Jardins (de uniformes verdes) que, acreditamos, deveriam estar cuidando da limpeza e manutenção do parque, juntar-se a funcionários da Comlurb (de uniformes laranja) para “pegar” aves e outros pequenos animais para consumo pessoal: os patos e gambás são os preferidos.
Numa área localizada em frente ao hospital Souza Aguiar, chamada de bambuzal há um lixão onde se estabelecem nuvens de moscas e mosquitos. Os funcionários da Comlurb dizem que se trata de um serviço terceirizado e que há uma empresa responsável pelo lixão. Se a tal empresa existe, não aparece por lá e o lixo permanece a “céu aberto”.
É inaceitável que a maior área verde do centro da cidade, um parque de grande valor histórico para o Rio de Janeiro, um local que deveria ser revitalizado e freqüentado por seus cidadãos, esteja tão abandonado! Nessa hora, às vésperas de eventos de repercussão mundial no Rio de Janeiro, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, esperamos sensibilidade e amadurecimento administrativos que ajudem a transformar nossa cidade em uma verdadeira “cidade maravilhosa”.
Voltamos a pedir: Cuidem do Campo de Santana! Cuidem do nosso patrimônio, da nossa cidade, de nossos bichos!
Rio de Janeiro, 07 de junho de 2011.