Abaixo-assinado Petição Contra a Adesão Total da UFRJ ao SiSU
Para: Todos os Vestibulandos
MANIFESTO CONTRA A ADESÃO COMPLETA DA UFRJ AO SiSU
No dia 6 de julho, o Conselho Universitário da UFRJ decidiu que o acesso aos cursos de graduação seria realizado apenas pelo ENEM (por meio do SiSU), sendo 30% das vagas destinadas a alunos de escolas públicas com renda per capita inferior a um salário mínimo. Não bastassem os problemas que envolveram essa prova nos últimos anos, a decisão ainda foi tomada às pressas sem que houvesse um amplo debate sobre o tema, não sendo ouvido sequer o Conselho de Ensino e Graduação (CEG) da universidade, que é contrário à decisão.
Desde que abandonou o Vestibular Unificado, a UFRJ orgulha-se de suas provas discursivas e de seu modelo que, ainda com possíveis falhas, mostrou-se mais inclusivo que o ENEM. Segundo relatório da Comissão de acompanhamento do Acesso aos Cursos de Graduação, ligada ao CEG, referentes ao 1º semestre do concurso de 2011 – um modelo misto onde 40% das vagas foram destinadas ao concurso próprio da instituição, 40% ao SiSU na modalidade ampla concorrência e 20% pelo SiSU para alunos oriundos da rede pública –, excluindo-se as vagas já destinadas à ação afirmativa, o percentual de alunos ingressantes pelo SiSU da rede particular (32,05%) foi o único que se mostrou maior em relação ao vestibular próprio da UFRJ (29,29%). Na rede federal, os ingressantes pelo sistema do MEC somaram 4,29%, quando pelo exame discursivo da UFRJ esse valor foi de 6,43%. As estaduais também tiveram seu percentual diminuído, de 3,10% pela prova do ENEM contra 4,81%. Já para as municipais, a diferença vai de 0,06% a 0,12%.
A distribuição pela natureza da escola, entretanto, não foi o único problema. A possibilidade de ingresso pelo SiSU não significou um maior número de alunos de outros estados aprovados. O relatório mostra que 96,5% dos alunos ainda são da região sudeste.
Os dados somente não são ainda mais alarmantes devido à reserva de vagas para os alunos da rede pública de ensino, que esse ano teve sua cota aumentada, ratificando que não se pode atingir a verdadeira igualdade tratando uniformemente pessoas que vivem realidades distintas.
Não fossem suficientes as falhas apontadas pelas estatísticas, essa decisão faz com que muitos alunos que já vinham se preparando para prestar o vestibular próprio da UFRJ tenham de alterar seus planos de estudo a apenas três meses da prova. Além disso, a deliberação aumenta as tensões pelas quais os vestibulandos já passam, ao contrario do que o Ex-Reitor Aloisio Teixeira havia afirmado. Enfrentando apenas uma prova, os candidatos diminuem suas chances de serem bem sucedidos em seu resultado final, pois em apenas uma oportunidade determinarão o seu futuro. Isso sem mencionar que a prova do enem, por ter caráter regional, não aborda as especificidades de cada região do país, sendo, também, uma avaliação massiva devido à extensa composição de 180 questões, que, ainda, são exclusivamente de múltipla-escolha.
Embora o antigo modelo da UFRJ não fosse o ideal de democratização, com base em tudo o que foi apresentado entendemos que a adoção do ENEM na forma em que será feita caracteriza-se como retrocesso em justiça social – que somente pode ser alcançada com amplo debate e transparência de todos os setores da sociedade.
Não podemos mais aceitar que as decisões sobre educação sejam tomadas unilateralmente! Por que aqueles que estão diretamente envolvidos no processo não têm direito a voz em um debate tão complexo? Sobretudo em um país rico em contrastes?
Conclamamos todos a lutarem contra a decisão da UFRJ e por uma ampliação de debate, a fim de buscar um processo que seja, de fato, mais democrático, e que conjuntamente não prejudique, às vésperas da prova, aqueles que, há bastante tempo, buscam o sonho de ingressar em uma das melhores universidades públicas do país.
Movimento Vestibulando Também Tem Voz