Abaixo-assinado Em defesa da tradição e da cultura religiosa de Rio de Contas!
Para: Arquidiocese de São Salvador da Bahia e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Rio de Contas - cidade histórica da Chapada Diamantina, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) - conhecida pela sua beleza natural, arquitetônica e cultural, corre o risco de perder algumas de suas tradições. É verdade que com o passar do tempo o mundo se transforma e junto com as transformações, mudanças vão surgindo em város âmbitos da sociedade. Porém, quando a mudança ou transformação visa beneficiar uma população, por exemplo, é bem aceita à medida em que há uma interação do povo com as referidas transformações, o que gera harmonia social. Pois bem, queremos essa harmonia e esse bem estar em nossa cidade novamente.
É vergonhoso que um povo inteligente, que tenha certa cultura, povo hospitaleiro e artista, que antes nunca baixou a cabeça diante das imposições e intrasigências, agora fique no abismo do silêncio e aceite ser reprimido, deixando-se sufocar pelos mandos de quem não conhece nem valoriza nossa cultura. Se não valoriza certamente também não tem, afinal se tivesse saberia dar o valor merecido.
Nascemos ouvindo os maviosos acordes da nossa querida LIRA DOS ARTISTAS, a "Santa Lira", agora criticada por uns poucos, mas amada por muitos. Antes ninguém falava que a banda (filarmônica) cobrava caro nas festas e nem se ofendia quando a defendíamos com fervor. A banda cobra o que merece. E o dinheiro da arrecadação para as festas é para a realização da festa e não para manter a igreja ou congregações. Sempre existiu uma porcentagem destinada à diocese. Por que agora tem que retirar também para a outros fins?
Agora, levados por idéias alheias, alguns cairam na fossa da bajulação talvez por quererem se promover através da religão.
Repito: a mudança quando interage com o povo, traz harmonia, paz, faz bem! E não é bem isso que está acontecendo.
Como é bom lembrarmos das festas religiosas, das corridas de bandeira, da banda tocando nas casas, parando aqui, acolá, dos fogos que anunciavam a festa, das quermesses, dos leilões afamados. Enfim, tudo vem ao nosso pensamento, hoje como forma de lembrança. Não queremos dizer que as nossas festas como as conhecemos acabaram, mas caminham para isso. Só quem já foi festeiro sabe descrever a emoção que sente no momento em que o nome é sorteado e, ao saber que O (A) SANTO (A) escolheu para fazer a proxima festa, não digo fazer, mas organizar. Dizem por lá que agora serão formadas as comissões e que um certo Conselho escolherá os festeiros. Estranho não é? Antes o santo escolhia, hoje um pequeno grupo escolhe. Isso é o cúmulo da pretenção. Saibamos que o povo não aceita isso! Todo festeiro tem um grupo que o ajuda, seja de familiares ou amigos. O Conselho então deveria fiscalizar e acompanhar o festeiro durante os preparativos para a festa, afinal toda igreja deve ter sim um Conselho.
Tememos que nossas festas acabem ou percam seu brilho. O que seria dos leilões sem a banda tocando no adro? E as bandeiras? As alvoradas? As procissões, enfim, o que seria de Rio de Contas sem esses costumes? Alguém já parou pra pensar? Alguém já lembrou que essas manifestações também evangelizam? Sim, isso também é evangelização, não é somente cultura ou tradição, uma vez que se tratam de eventos religiosos. Isso tudo não quer dizer que a nossa fé fica pra segundo plano, aliás, ela está presente sim, sobretudo neste ato de desagravo às nossas tradições de fé! Se esses costumes existem, é porque são homenagens ao Santíssimo Sacramento e aos seus santos! Portanto são expressões de fé!
A propósito, para onde foi a festa de Nossa Senhora da Conceição? Quem se lembra?
A nossa cultura foi herdada e não roubada. Não existe povo sem história, sem cultura, sem fé, sem memória. Portanto, nós, filhos da terra, presentes e ausentes, EXIGIMOS RESPEITO!
Não devemos somente criticar, pois há também pontos positivos. Devemos sugerir. Então sugerimos que respeitem nossa maneira de expressar a nossa fé, nossas tradições, nossa cultura! A mudança deve ser feita junto com o povo.
Enfim, sabemos que a Ditadura em nosso país já acabou, ou será que estamos retrocedendo?