Abaixo-assinado PARQUE ARQUEOLÓGICO ALDEIA DO PORTINHO
Para: público em geral
ABAIXO ASSINADO PLEITEANDO A IDEALIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DO "PARQUE ARQUEOLÓGICO ALDEIA DO PORTINHO"
Este documento tem a intenção de coletar o maior número possível de assinaturas de pessoas que compreendam e desejam manifestar a necessidade da criação do "Parque Arqueológico Aldeia do Portinho" devido à sua importância para a história do Brasil, visto as atuais e grandes descobertas arqueológicas feitas no local.
A falta de espaços para a difusão e manutenção da história e pré-história de Cabo Frio, acarreta a perda de identidade da mesma e restringe o poder da educação para seu povo. Quem não conhece sua história, jamais conseguirá fomentar o futuro e recorrerá no risco de ceifar seu próprio desenvolvimento econômico e cultural.
Fragmentos da história da humanidade estão sempre à espera de ser desvelado com um único objetivo, aplacar a ansiedade do homem com relação a sua origem, dar a ele identidade, referência e ao ser revelado, passa a constituir o patrimônio, a herança paterna de uma pessoa, de um grupo ou a depender da relevância da descoberta, passa a constituir o patrimônio da humanidade. Muitos destes vestígios aguardam milênios pelo encontro mágico de duas civilizações distintas, absolutamente desconhecidas e diferentes em suas expressões. O momento do encontro é de espanto, perplexidade diante do inusitado. Somente o tempo pode reaproximá-las, pois que se faz preciso que o descobridor aprenda a olhar e decifrar os enigmas deixados, precisa vencer as idéias pré-concebidas e identificar naquele que o antecedeu as mesmas necessidades básicas que hoje o descobridor carrega em seus anseios.
O descobridor experiente (o pesquisador, o cientista, o acadêmico) pode até não sofrer o choque cultural do encontro, mas nós, simples amadores na vida, somos sensíveis às diferenças e precisamos de oportunidades para entender o encontro e, principalmente para respeitar a descoberta. A Região dos Lagos é riquíssima em vestígios materiais de civilizações (aproximadamente 178 sítios arqueológicos) que por aqui viveram em período compreendido entre 5000 e 500 anos antes do presente, entretanto aqueles que hoje aqui vivem pouco ou nada sabem daqueles que por aqui viveram e que deram início à história da nossa nacionalidade.
Não é por falta de pesquisas científicas revelando estes grupos que estas informações não são amplamente divulgadas, pois que estas acontecem por aqui desde a década de 60, mas é por ausência de uma efetiva e constante política pública de promoção dos resultados do conhecimento acadêmico em meios não acadêmicos. Na década de 90, um pequeno exército de "brancaleones" formou o Fórum Permanente de Arqueologia da Região dos Lagos que durante algum tempo se reuniu para defender e montar estratégias de divulgação do patrimônio arqueológico local, mas que logo faleceu à míngua de recursos financeiros, desiludidos com as falsas promessas públicas de criação de um museu a céu aberto agenciado de forma a apresentar, após as devidas escavações e pesquisas, o local de um acampamento de um grupo sambaquiano.
Hoje temos em Cabo Frio novas descobertas sendo reveladas e, portanto, uma nova oportunidade para garantir a divulgação deste acervo maravilhoso deixado por pessoas que nos antecederam. "Boop", conforme foi batizado o esqueleto de uma fêmea encontrada no Sítio Arqueológico Aldeia do Portinho na enseada das palmeiras juntamente com seus pertences culturais (agulhas, flechas, vasos e outros fragmentos) que contam por si sua história e falam do local que ela e seu grupo escolheram para viver às margens do canal de Itajuru.
Os assinantes desta lista estão requisitando das autoridades públicas (LEGISLATIVO E EXECUTIVO) a promoção do agenciamento da área pleiteada pelo Shopping Park lagos para a idealização e construção do PARQUE ARQUEOLÓGICO ALDEIA DO PORTINHO, mantendo as estruturas pré-históricas e históricas conforme estão sendo encontradas nas pesquisas científicas, como um espaço que registre e divulgue a vida daquele grupo descoberto. Todos nós, brasileiros, respaldados na Constituição Federal (lei nº 3924/61), temos o direito de ver preservado o patrimônio que é a memória dos grupos formadores da sociedade atual, patrimônio este que registra de forma material ou imaterial as referência de nossa identidade. Enquanto em outros países e até em outras cidades brasileiras estão protegendo estes patrimônios e crescendo turisticamente com o turismo cultural e ecológico, os habitantes daqui estão perdendo o trem da história, se dando ao luxo de jogar no lixo.
Desta forma, se você é Cabo-friense, ou escolheu viver aqui buscando qualidade de vida, faça sua parte; Vamos dizer não à troca de um complexo sítio arqueológico por um Shopping que não cabe no perfil do bairro, e que pode perfeitamente ser instalado em outro local mais apropriado.
AJUDE A PRESERVAR A NOSSA HISTÓRIA
A)
UNI-AMACAF – União das Associações de Moradores de Cabo Frio
20ª Subseção da OAB/RJ – Cabo Frio