Abaixo-assinado Carta Aberta de Apoio aos Camponeses Colombianos da Região de Catatumbo
Para: Consulado colombiano em São Paulo
CARTA ABERTA DE APOIO AOS CAMPONESES COLOMBIANOS DA REGIÃO DE CATATUMBO
Os abaixo assinados exigimos do governo da Colômbia, presidido por Juan Manuel Santos, o fim da violenta repressão contra o legítimo uso do direito de protesto que exercem os camponeses da região fronteiriça de Catatumbo no departamento do Norte de Santander. O tratamento de guerra a esta mobilização já causou a morte de 4 camponeses e deixou mais de 40 manifestantes feridos com arma de fogo.
Da mesma forma exigimos do governo e das autoridades civis e militares da região a retificação das acusações caluniosas e sem fundamentos que criminalizam os manifestantes apontando-os como guerrilheiros, afirmações estas que buscando justificar o avanço militar da força pública sobre a zona põe em gravíssimo risco a vida de todos os camponeses da região. Pedimos que se reconheça o caráter civil e representativo da Asociación Campesina del Catatumbo (ASCAMCAT) e que se abra espaço para o diálogo por meio da Mesa de Interlocución y Acuerdo (MIA), porta-voz das proposta dos camponeses, os quais estão a mais de 18 dias em protesto.
As solicitações que motivaram este exercício legal e legítimo de mobilização tem a ver com a criação de uma Zona de Reserva Campesina na região, de acordo com o estipulado na lei 160 de 1994; o fim das fumigações indiscriminadas na zona que afetam ostensivamente todos os cultivos e a saúde de seus habitantes e a necessária participação social para a saída destes problemas. Consideramos legítimas e pertinentes estas petições que respondem não somente ao campesinato de Catatumbo, mas Também às necessidades de múltiplas regiões do país que passam por dificuldades similares. A oposição fundamental a estas justas solicitações repousa nas Forças Militares que controlam esta região fronteiriça com a Venezuela no marco de um operativo de guerra chamado Plan Consolidación, o qual viola claramente o Estado de Direito.
Vemos com suma preocupação a resposta repressiva por parte do Estado colombiano a propostas que precisamente fazem parte das temáticas em discussão na Mesa de Diálogo de Paz de Havana entre o governo de Santos e a guerrilha das FARC-EP, pois tal resposta dilacera este formidável esforço pela solução política ao conflito armado colombiano e a busca da paz para toda Nossa América.
Convocamos toda a comunidade internacional a acompanhar e solidarizar-se com este movimento e intervir decididamente para frear o massacre e abrir caminho para um autêntico diálogo em Catatumbo.
Articulación continental de movimientos sociales hacia el ALBA