Negros e Negras em Festivais de Cinema
Para: Festivais de cinema no Brasil com pouca diversidade
Nós, cineastas, roteiristas, críticos, críticas, atrizes, atores e demais profissionais da indústria audiovisual, manifestamos nossa profunda preocupação com a lamentável falta de representatividade negra nos júris de importantes festivais de cinema no Brasil.
A recente edição de 2024 da Mostra SP, por exemplo, revelou uma ausência completa de profissionais negros em seu júri. Assim como outros que poderiam ser citados aqui, há uma sub-representação que precisa ser discutida.
Esse problema crônico nos júris de festivais de cinema é um reflexo de um problema mais amplo na indústria audiovisual, que historicamente marginalizou e invisibilizou as vozes e as experiências de cineastas negras e negros. Essa ausência nos espaços de decisão e reflexão, compromete a diversidade da seleção dos filmes, além de perpetuar desigualdades e estereótipos.
É imprescindível que os festivais assumam um compromisso sincero com a diversidade e a inclusão, garantindo que seus júris reflitam a pluralidade da nossa sociedade. A presença de profissionais negros e negras nos espaços de decisão é essencial para que as narrativas e as experiências dessa comunidade sejam devidamente valorizadas e representadas.
Diante desse cenário, gostaríamos e deixamos a título de sugestão, que nas edições seguintes os pontos abaixo fossem levados em consideração:
1. Aumento da representatividade racial nos júris: É fundamental que os festivais de cinema estabeleçam metas concretas para aumentar a composição de profissionais negras e negros em seus júris, estabelecendo, por exemplo, a exigência de um número mínimo de pessoas negras.
2. Criação de ações afirmativas: É preciso adotar medidas concretas para incentivar a participação de profissionais negros nos júris, como a realização de oficinas de formação.
3. Diálogo com a comunidade negra: Os organizadores, monitores ou envolvidos com os festivais poderiam estabelecer um diálogo constante com a comunidade negra, ouvindo suas demandas e buscando soluções conjuntas para promover a diversidade e a inclusão.
Acreditamos que a diversidade nos júris é um passo fundamental para a construção de um cinema brasileiro mais justo, democrático e representativo.
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OBSERVAÇÃO:
A informação que constava antes era que a última edição do festival Cine PE não estava com representantes negros. Porém, isso não confere. A edição de 2024 contou com a presença de Joel Zito. E o júri da crítica foi composto com 70% de mulheres negras e 70% de nordestinos.
Além disso, o destinatário foi alterado para que fique mais amplo e possibilite a comunicação com o maior número de festivais necessitam dessa reflexão.