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Teletrabalho no IBGE: Promovendo a Eficiência e a Participação dos Servidores

Para: Presidente do IBGE, Conselho Diretor do IBGE, demais servidores do IBGE

Nós, servidores do IBGE, expressamos nossa profunda preocupação com as discussões em andamento no Grupo de Discussão 2 do Diálogo 90 Anos, relacionadas ao Plano de Gestão e Desempenho (PGD) e ao teletrabalho. Observamos com inquietação a intenção da mesa relatora de impor 2 ou 3 dias de trabalho presencial para todos os servidores do IBGE, apesar da clara maioria que se opõe a essa medida.

Cabe destacar que a maioria dos servidores que têm reservas em relação ao teletrabalho tem se manifestado de maneira responsável, discutindo suas preocupações nos fóruns apropriados a respeito das especificidades da sua rotina de trabalho, reforçando sobre a inadequação do teletrabalho em seus casos específicos, sem buscar impor o trabalho presencial a todos.

A decisão em questão parece carecer de fundamentação técnica e poderia causar sérios problemas para setores que otimizaram seu desempenho graças ao teletrabalho, economizando tempo e recursos públicos.

Além disso, a imposição do trabalho presencial é contraproducente em termos de economia na maioria dos casos, uma vez que o teletrabalho reduziu os custos do órgão, sendo, inclusive, uma medida alinhada à decisão de desocupar o prédio alugado na Av. Chile.

Ainda sobre o dispêndio de recursos, a obrigatoriedade do trabalho presencial é antieconômica, pois não existe justificativa racional para exigir que os servidores usem um espaço público para interações que podem ocorrer de maneira eficiente online, desperdiçando recursos e o tempo valioso dos servidores.

É importante ressaltar que o teletrabalho proporciona um ambiente adequado para a troca de experiências, compartilhamento de informações e capacitações, que podem ser realizadas de maneira eficaz no formato online. Além disso, é válido salientar que, conforme as necessidades da administração, já está previsto que os servidores em regime de teletrabalho integral devem comparecer presencialmente na instituição, quando necessário, demonstrando flexibilidade e adaptação às demandas institucionais.

O teletrabalho é uma tendência que oferece inúmeras vantagens e representa o futuro do trabalho. Permanecer alheio a essa evolução é prejudicial à competitividade do IBGE e pode resultar na perda de servidores para outras instituições e empresas privadas.

Esperamos que o sindicato do IBGE defenda os servidores que optaram pelo teletrabalho. Caso isso não ocorra, consideraremos a criação de um sindicato específico para os servidores do IBGE que compartilham essa perspectiva.

Reconhecemos que os gestores responsáveis pelas entregas são os mais aptos a compreender as especificidades de cada área e a tomar decisões que maximizem a eficiência de suas equipes. Delegar essa decisão a servidores que não entendem essas particularidades não faz sentido.

O mundo atual exige otimização de tempo, respostas rápidas e a eliminação de barreiras físicas. Os gestores devem adaptar-se e ser capazes de gerir suas equipes por meio do PGD e, quando apropriado e possível, por meio do teletrabalho.

A qualidade de vida dos servidores públicos e suas escolhas pessoais devem ser consideradas, em conjunto com as decisões dos gestores. O ganho de tempo proporcionado pelo teletrabalho melhora a produtividade e beneficia a vida pessoal dos servidores, resultando em um melhor desempenho também para o IBGE.

A interação dentro e entre equipes não é um problema no teletrabalho, podendo ser facilitada pelas tecnologias de comunicação. Deve-se conceder autonomia aos gestores para decidir qual modelo de trabalho é mais eficiente para suas equipes.

Além disso, é essencial destacar que o teletrabalho oferece a oportunidade de formar equipes que operam remotamente em regiões ou setores onde a presença física contínua de servidores pode ser desafiadora de manter. Essa flexibilidade na administração de pessoal do IBGE não apenas aprimora a eficiência, mas também oferece alternativas valiosas no caso de escassez de servidores, permitindo que a instituição continue a cumprir sua missão de coletar e fornecer informações essenciais para o Brasil, independentemente de desafios geográficos ou de pessoal.

Um aspecto fundamental a considerar é que o teletrabalho pode ser uma opção essencial para pessoas que, por questões de saúde, ansiedade, doenças crônicas ou condições como o autismo, se beneficiam significativamente com um menor contato interpessoal. Muitos servidores demonstram alto nível de entrega no trabalho, mesmo enquanto operam remotamente, e essa modalidade proporciona a esses indivíduos a oportunidade de alcançar seu pleno potencial, contribuindo para os objetivos do IBGE de maneira significativa, ao mesmo tempo em que cuidam de sua saúde e bem-estar.

Outra consideração relevante é o impacto que a imposição do trabalho presencial poderia ter sobre os servidores aposentáveis. Forçar esse grupo ao trabalho presencial poderia levar muitos deles a considerarem a aposentadoria como a melhor alternativa, o que é particularmente significativo dado que aproximadamente 950 servidores do IBGE se encontram nessa condição, um número que excede a quantidade de vagas disponíveis no último concurso público. A perda desses servidores experientes poderia representar um desafio substancial para a continuidade das operações do IBGE e para a transmissão de conhecimento institucional aos novos funcionários.

Antes de tomar qualquer decisão definitiva em relação ao teletrabalho, é fundamental que se proceda a uma análise detalhada dos setores que já adotam essa modalidade. Esta análise deve abranger uma comparação criteriosa das entregas realizadas antes e depois da implementação do teletrabalho, avaliar a satisfação dos servidores que desempenham suas funções remotamente, bem como a satisfação dos gestores responsáveis por essas equipes, e ainda considerar a percepção das entregas para a alta administração do IBGE. Somente por meio dessa avaliação abrangente e cuidadosa, será possível tomar decisões informadas e garantir que as políticas do IBGE estejam alinhadas com as necessidades e expectativas dos servidores e da própria instituição.

Esperamos que o Presidente do IBGE leve em consideração essas preocupações e a opinião da maioria dos servidores, promovendo uma liderança democrática que ouça as vozes daqueles que compõem a instituição.

Atenciosamente,

Servidores públicos da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
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Esta petição foi criada em 11 outubro 2023
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