Contra a Censura ao Trap, Rap e Funk: Pela Liberdade de Expressão e Cultura Periférica
Para: • Congresso Nacional • Assembleia Legislativa de Minas Gerais • Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte • Ministério da Cultura • Governadores e Prefeitos das Capitais
ABAIXO-ASSINADO CONTRA A CENSURA AO TRAP, RAP E FUNK
O trap, o rap e o funk são as maiores revoluções musicais da periferia. São gêneros que não precisaram de favores do Estado, de incentivo de político, de dinheiro público. A gente construiu essa cena do zero, com nossas próprias mãos, nossa própria estética, nossa própria cultura. E agora, depois de anos ignorando e marginalizando nosso movimento, o Estado quer aparecer para censurar e atrapalhar o que não ajudou a construir.
Projetos de lei como a “Lei Anti-Oruam” e outras propostas em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília querem proibir que artistas do trap, do rap e do funk sejam contratados pelo poder público, usando a desculpa de que fazemos “apologia ao crime”. Mas cantar a realidade não é fazer apologia. Falar sobre armas, drogas e o corre de quem nasce sem oportunidade não é glamourizar nada, é expor o que acontece todo dia nas nossas quebradas. Se fosse só sobre “conteúdo criminoso”, por que o sertanejo, que fala de álcool, traição e até feminicídio, recebe bilhões em dinheiro público e nunca é questionado?
NÃO PRECISAMOS DO ESTADO PARA CRESCER, MAS ELE QUER APARECER AGORA PARA CENSURAR
O funk, o rap e o trap nunca tiveram incentivos do governo. A gente não teve patrocínio estatal, editais de cultura ou incentivos de prefeitos e governadores. Criamos nosso próprio mercado, nossa própria indústria, nossos próprios eventos. A grana dos nossos shows, das nossas músicas e da nossa estética movimenta a moda, a economia e gera empregos para milhares de pessoas. Enquanto isso, o sertanejo está cheio de cachê superfaturado, festival financiado com dinheiro público, milhões que poderiam estar indo para escolas, hospitais e projetos sociais.
Agora, quando nossa cultura finalmente está no topo, eles querem proibir nossos shows, criminalizar nossos artistas e impedir que a nova geração tenha voz. Isso não é sobre “combate ao crime”, isso é sobre CALAR A PERIFERIA.
NOSSAS CRIANÇAS PRECISAM APRENDER A RESISTIR, NÃO A DEPENDER DO ESTADO
A nova geração precisa entender que o Estado nunca esteve do nosso lado. Não podemos criar crianças achando que o governo é solução. O Estado falhou em dar educação, saúde e segurança para nós. Agora, falha de novo tentando apagar a nossa cultura. Nossa molecada precisa crescer sabendo que falar de arma e droga no rap não é “glamourizar”, é documentar o que o próprio governo se recusa a resolver.
O trap, o rap e o funk são escolas de vida. Ensina nossos jovens a sobreviver, a sonhar, a ser independentes. E esse é o maior medo dos políticos: ver a periferia forte, consciente e sem precisar deles para nada.
O QUE EXIGIMOS?
1. O arquivamento imediato de todos os projetos de lei que criminalizam o trap, o rap e o funk.
2. Que o Estado pare de se meter no que não ajudou a construir.
3. O fim da perseguição a MCs e produtores por parte das autoridades.
4. Mais espaços para fortalecer a cultura, sem censura e sem interferência política.
Se você vive do trap, do rap, do funk, se você curte o som, ou simplesmente acredita na liberdade de expressão, assine esse abaixo-assinado e ajude a barrar esse ataque à nossa cultura!
Rap, trap e funk são resistência. A favela nunca precisou do Estado e não vai ser agora que ele vai nos calar.