Exame do TED 2014
Para: Prezados Professores Doutores da Banca Examinadora do TED,
Com todo respeito, gostaríamos de fazer algumas considerações em relação ao exame do TED 2014, realizado em 14/12/2014.
Nos últimos anos a prova teórica tem mantido o mesmo formato, explorando itens de memorização e doenças infrequentes, em detrimento de casos clínicos e raciocínio diagnóstico. Qual seria a relevância do conhecimento sobre quantas subunidades existem no colágeno tipo IV? Este tipo de informação para prática da dermatologia de excelência que queremos exercer cria algum diferencial? Além disso, o formato das questões, as opções colocadas, e a solicitação em inúmeras questões da opção “incorreta” foram os elementos que dificultaram sua resposta, associadas ao nosso nervosismo natural.
Quando comparamos a prova atual com a de 5 anos atrás, vemos que a cada ano as questões tem se tornado mais difíceis e paralelamente crescem numerosos cursinhos preparatórios para o TED. Só para citar, um curso de dermatopatologia cobra R$2600 por 3 dias de aula teórica com slides. Ficamos nos perguntando quem tem se beneficiado deste tipo de questão, a pessoa que aleatoriamente chuta melhor ou os médicos de serviços não credenciados que geralmente tem menor carga horária sobrando tempo disponível para decorar e maior poder aquisitivo para tantos cursos... Nós, particularmente, preferíamos uma prova que contenha casos clínicos, podendo ter uma parte de testes e outra de questões discursivas. Não estaria na hora também de incluir outros critérios para avaliação do residente? Por exemplo, a elaboração de pôster e trabalhos científicos, participação nas atividades da SBD, publicações nos Anais...
Em relação à prova teórica, que motivou esta carta, nos surpreende o fato de não podermos levar o caderno de questões e do edital rejeitar recursos. Desconhecemos outros concursos e avaliações no país que não disponibilizam as questões, às vezes no próprio site da empresa que confeccionou a prova, pois se entende que se uma questão apresenta alguma incorreção, esta não deve prejudicar o candidato, tornando assim a avaliação mais justa e transparente. Pensamos que seria melhor retirar essa cláusula (5.4) do edital.
As residências e especializações de dermatologia credenciadas a SBD são hoje as mais concorridas do país. O que aconteceu conosco que não nos sentimos aptos a responder esta prova que sequer tem concorrência? Ficamos menos inteligentes? Estudamos pouco? Os serviços não estão nos preparando adequadamente? O sentimento de descontentamento foi geral e gostaríamos de expressá-lo independente dos resultados.
Em geral, os docentes dos diferentes serviços, defendem que não devemos ter horários livres na escala, que o aprendizado da dermatologia se faz vendo o paciente. Concordamos que a prática é essencial, porém imaginamos que se fossem escolhidos os 50 melhores médicos assistentes das instituições de excelência da dermatologia no país, com muito mais experiência do que os nossos 2 anos de R2 e R3... Imaginamos que se lhes fosse dada esta prova para responder, o resultado talvez fosse inferior ao nosso.
Vivemos num contexto, antes inimaginável na medicina, onde médicos estrangeiros sem revalidação foram aceitos e a atual presidente se prepara para receber mais especialistas. Não queremos de forma alguma que a prova seja fácil, queremos ter orgulho do nosso esforço e de sermos membros da SBD. Defendemos uma prova justa, que aborde as principais dermatoses revelando o conhecimento e vivência com o paciente, dizendo à sociedade que estamos aptos a exercer a dermatologia. Não é este o objetivo da prova de título de especialista?